Sociedade

Familiares das vítimas do Meco não acreditam em arquivamento

Familiares das vítimas do Meco não acreditam em arquivamento

Seis meses após a tragédia da praia do Meco, em Sesimbra, os pais das seis vítimas foram, este domingo à tarde, à porta da Procuradoria Geral da República, em Lisboa, deixar um ramo de seis rosas brancas para lembrar que continuam à espera de explicações e sem saber o que se passou a 15 de dezembro de 2013. Prometem não deixar cair o assunto até que se faça justiça: "Nunca se desiste de um filho", clamam.

Não têm dúvidas de que se tratou de "um ritual de praxes que correu mal" e recusam-se a acreditar que, perante "tantas evidências", o processo venha a ser arquivado, como chegou a ser noticiado.

"Por favor, ajudem os nossos pais na descoberta da verdade e façam justiça", lia-se, no verso dos corações de papel deixados junto às flores, com os nomes das vítimas, todos alunos da Lusófona.

À porta da igreja de São Mamede, onde iriam participar numa missa, Fernanda Cristovão, mãe de Catarina Soares, uma das vítimas, explicou a intenção deste ato: "porque a investigação está nas mãos do senhor procurador e, passados seis meses, tudo o que sabemos é pela comunicação social, mais nada. Não percebemos porque é que o processo ainda está em segredo de justiça", disse a porta-voz do grupo, recusando-se a acreditar que o processo venha a ser arquivado.

"Não acreditamos que, com tantas evidências, o senhor procurador tenha a coragem de arquivar o processo. Aquilo que queremos é que se faça justiça", apelou a mãe de um dos seis alunos da Lusófona, de onde garantem não ter tido qualquer contacto, ou apoio, nem saber nada do processo interno que foi aberto.

Os pais não têm dúvidas de que se tratou de um ritual associado à praxe. "Agora é preciso coragem para pôr cá fora e assumir quem fez, quem expôs aqueles jovens ao perigo", disse, apelando aos familiares dos membros do COPA (Comissão Oficial da Praxe Académica) para que digam o que sabem e a João Gouveia, dux da Lusófona e único sobrevivente, a dizer o que se passou naquela madrugada na praia.

"Ele é que sabe a verdade, ele é a chave do mistério", disse, Mariana Barroso, mãe de Joana, que faria 22 anos quinta-feira, e que não acredita que ninguém saiba o que se passou naquele dia. Recusa ainda a ideia de que não haja provas porque foram agentes da Polícia Marítima a dizer-lhe, e ao marido, que tinham sido encontrados na praia "dois copos de madeira, um bloco de notas e uma capa". " "O que é que aconteceu a essas coisas?", questiona, garantindo que havia "vestígios" do que se passou.

Diz que a filha, aluna de mestrado de Serviço Social, nunca lhe falou do que se passava naqueles fins-de-semana. Mas hoje sabe que os três em que Joana participou, "todos eles acabavam dentro de água". "As pessoas têm medo de falar mas há amigas da minha filha que me disseram que isto foi uma praxe que correu mal", diz.