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Freiras do Convento de Santana viviam em ambiente de luxo

Freiras do Convento de Santana viviam em ambiente de luxo

Vivia-se num ambiente misto de luxo e devoção no convento de Santana em Lisboa, no século XVII, concluíram investigadores que encontraram peças raras de elevado valor nas escavações feitas no local.

Investigadores em Arqueologia da Universidade Nova de Lisboa descobriram em escavações do antigo Convento de Santana, em Lisboa, um conjunto vasto de artefactos, muitos ainda intactos, que revelam o nível social das freiras que habitavam aquele equipamento religioso, assim como o dia a dia de todos os residentes.

De referir que as ossadas de Luíz Vaz de Camões, que se encontram no Mosteiro dos Jerónimos, foram retiradas de um túmulo junto a este convento, embora subsistam dúvidas sobre se serão mesmo do autor de "Os Lusíadas", já que não foi encontrado no local qualquer inscrição que o indicasse.

Numa fossa detrítica encontravam-se inúmeras peças, muitas de faiança portuguesa, porcelana chinesa (da dinastia Ming), peças espanholas e italianas. Tudo peças de grande valor e a que apenas famílias nobres teriam acesso.

"Pelas peças que encontrámos percebemos que as freiras eram de famílias ricas, levavam os seus enxovais, os seus dotes, viviam no convento como se vivessem em suas casas, com criadas", explica a investigadora e docente Rosa Varela Gomes.

Peça única no mundo

Paralelamente aos objectos que mostram a existência de luxo, foram encontradas variadíssimas peças de uso quotidiano, como escovas, pentes, mas também artigos de uso religioso, de entre os quais se destaca um anel de martírio, mas também cruzes e medalhas.

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A apresentação dos investigadores Rosa Varela Gomes e Mário Varela Gomes, intitulada "Devoção e Luxo no Convento de Santana de Lisboa" (Séculos XVI e XVII) menciona artigos raríssimos, nomeadamente uma peça de origem vietnamita, e uma taça de porcelana chinesa, com motivos pornográficos, única conhecida no mundo até ao momento.

As escavações arqueológicas tiveram início em 2002, e terminaram em 2010, no local onde estão a ser construídos equipamentos da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova, onde existia o edifício do Instituto Bacteriológico Câmara Pestana, ao Campo Santana.

Nas escavações feitas no antigo Convento de Santana, onde chegaram a viver cerca de 300 pessoas, em 1702, das quais 130 religiosas, foi encontrado também um conjunto de 35 sepulturas.

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