Sociedade

Alexandra está inscrita em infantário

Alexandra está inscrita em infantário

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras afirmou, em comunicado, que a mãe biológica da menina russa foi alvo de uma expulsão administrativa em 2004, pela permanência ilegal em Portugal.

Mas logo que o SEF soube da filha de Natália Zerubina ter nascido em Braga, a 3 de Abril de 2003, aquela decisão foi "suspensa de imediato" e "oportuna e formalmente transmitida a todas as autoridades judiciais envolvidas".

A cidadã estrangeira teve a hipótese de regularizar a documentação através da filha, "o que sempre rejeitou, ao ter intenção de regressar voluntariamente para a Rússia". Consumou essa viagem há uma semana, com o apoio do Consulado da Rússia, "de livre e espontânea vontade". Quanto à filha, o SEF emitiu-lhe um título de residência, que continuava válido à partida para a Rússia.

As autoridades russas consideram satisfatórias as condições em que vive a Alexandra. Foi examinada pelos médicos que constataram ser saudável e não apresentar sinais de violência. A mãe inscreveu-a no infantário.

"As condições de vida da criança são satisfatórias", afirmou Tatiana Denissova, delegada dos "órgãos de tutela", a entidade que na Rússia deve zelar pelos direitos das crianças. Na sua opinião as condições em que vive a Alexandra são as "da maioria das pessoas nos ambientes rurais" da Rússia.

Tatiana Denissova admitiu que a iniciativa de verificar as condições em que vivia a Alexandra resultou da repercussão de um programa de televisão.

A Alexandra foi ainda submetida a um exame médico para verificar que o seu estado de saúde é satisfatório e que não apresenta sinais de violência. A mãe da Alexandra pôde ontem preencher uma pré-inscrição para a menina poder frequentar o infantário a partir de Setembro. Contactado em Portugal, o pai afectivo, João Pinheiro, disse que se a menina fosse admitida num infantário então "está tudo acabado".

Foi recomendado ainda a Natália Zarubina que tente arranjar trabalho "o mais depressa possível". Actualmente, tanto a Alexandra como a mãe estão dependentes das reformas dos avós, Olga e Serguei, que em conjunto somam cerca de 460 euros.

Tatiana Denissova aconselhou ainda os órgãos de Informação a "deixarem a família em paz", para facilitar a adaptação da criança. A casa da Alexandra foi visitada também por representantes da Procuradoria, a qual, na Rússia, zela também pelos direitos dos menores. No entanto, a representante da Procuradoria não fez quaisquer comentários.

Por seu lado, a Câmara Social, um órgão consultivo da presidência para os direitos dos cidadãos, pretende enviar uma delegação à aldeia de Pretchistoe. "Face à ressonância que tem tido na sociedade, a comissão da Câmara Social assume o controle da situação à roda desta criança", declarou à agência Interfax, Anatoli Kutcherena, chefe da comissão para "o controlo da actividade dos órgãos da lei".

Também a delegação russa da UNICEF se pronunciou no sentido de ser necessário o acompanhamento da situação por parte de especialistas competentes.

O caso da Alexandra continua a despertar grande interesse na opinião pública russa. Depois de um amplo artigo que tinha sido publicado na véspera pela agência Interfax, ontem foi a vez da agência estatal "Novosti", enviar os seus correspondentes a Pretchistoe. O quotidiano "Komsomolskaia Pravda" continua a dedicar bastante espaço à Alexandra e às condições em que vive actualmente. Enquanto que nos blogs se multiplicam os sentimentos de solidariedade com "a pouca sorte" da Alexandra. De acordo com a agência "Novosti" a menina parecia alegre e satisfeita, e pôde usar o telefone da agência para telefonar para Barcelos a contar que as sua cadelinha tinha tido "três cãezinhos brancos, um preto e dois castanhos".