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Alzheimer afecta 90 mil em Portugal

Alzheimer afecta 90 mil em Portugal

A doença de Alzheimer afecta 90 mil portugueses, número que deverá duplicar nos próximos 30 anos, alertou a associação representante dos doentes, considerando que é tempo de "transformar a demência numa prioridade de saúde pública e política social".

O alerta da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer (APFADA) surge nas vésperas da comemoração do Dia Mundial da Doença de Alzheimer (21 Setembro), que este ano tem como lema "A necessidade de um diagnóstico precoce".

As últimas estimativas apontam que existam 153 mil pessoas com demência em Portugal, 90 mil das quais com doença de Alzheimer, disse à Lusa o director executivo da APFADA, António Oliveira Costa.

A doença de Alzheimer é degenerativa, incapacitante e tem uma evolução progressiva, durante a qual se verificam alterações ao nível da memória e orientação, da linguagem, da capacidade cognitiva, do humor e do comportamento e da capacidade motora.

Esta doença limita a vida dos doentes, tornando-os gradualmente dependentes dos cuidados dos outros.

"A sociedade civil em geral tem uma opinião bastante informada sobre a doença de Alzheimer. No entanto, é uma doença que nos continua a surpreender a partir do momento em que nos atinge directamente", comentou Oliveira e Costa, comparando-a a "um labirinto em que a pessoa entra e não encontra a saída".

Para o responsável, ainda há muito a fazer para ajudar os doentes e familiares. "Há problemas ao nível do acesso à medicação, da intervenção, dos apoios domiciliários, centros de dia e equipamentos construídos de raiz para pessoas com esta problemática".

No entanto, o principal problema é o diagnóstico ser muitas vezes demasiado tardio.

"Os primeiros sinais e sintomas continuam a confundir-se com os sinais de envelhecimento, mas, muito embora a idade seja o maior factor de risco, ela não é a causa da doença", justificou.

O facto de Portugal ter uma "população extremamente envelhecida e em envelhecimento permanente" exige que o diagnóstico seja mais precoce para que os doentes e familiares possam adaptar-se e prolongar as faculdades e capacidades dos doentes o mais possível.

Oliveira Costa defendeu a criação de um plano nacional para a doença de Alzheimer: "Pensar quantos doentes temos, que recursos existem, o que é prioritário e como é que vamos preparar-nos para esta doença que em Portugal atinge 90 mil pessoas e que se estima que, até 2040, venha a atingir 180 mil ou mais", frisou.

O neurologista Alexandre Castro Caldas explicou à Lusa que o aumento da incidência e prevalência da doença se deve ao crescente envelhecimento da população e defendeu a necessidade de "apoios específicos para estes doentes", nomeadamente centros de dia e apoio domiciliário.

O Governo anunciou em Maio a intenção de avançar, ainda este ano, com a construção de 18 unidades de dia para 270 doentes de Alzheimer, uma em cada capital de distrito. Contactada pela Lusa, a coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, Inês Guerreiro, adiantou que a regulamentação sobre esta matéria está concluída.

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