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Angola e Moçambique são países-alvo do voluntariado missionário

Angola e Moçambique são países-alvo do voluntariado missionário

Os países-alvo da ação do voluntariado missionário português são preferencialmente os países africanos de Língua Oficial Portuguesa, destacando-se um "maior investimento" em Angola e Moçambique, segundo o estudo "Voluntariado: missão e dádiva".

O estudo, promovido pela Fundação Fé e Cooperação (FEC), em parceria com a Escola Superior de Educação Paula Frassinetti2, e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, analisou os perfis das instituições que promovem o voluntariado, tendo recolhido dados junto de 57 organizações e obtido 37 respostas.

Segundo as conclusões do estudo, a que a Agência Lusa teve acesso, há um maior investimento destas ações em Moçambique (22) e Angola (15). Nos outros países, regista-se um equilíbrio de ações em curso que rondam a dezena em cada um, incluindo o Brasil, além de nove ações em outros tantos países.

Relativamente às instituições que proporcionam voluntariado missionário, o trabalho refere que a sua natureza é "muito variada", embora quase 75% sejam de origem católica: Congregações Religiosas (nove), Organizações Não-governamentais para o Desenvolvimento (nove), IPSS ou instituições diocesanas (seis).

As estratégias privilegiadas de captação dos voluntários confinam-se às iniciativas espontâneas (21 respostas) e através da pastoral organizada (19). Contudo, os familiares e amigos (12) e a publicidade (11) também surgem como formas de divulgação.

Quase todas as instituições declaram que a origem preferencial dos recursos financeiros captados para o voluntariado missionário é a angariação de fundos (31 respostas) e pouco menos de metade afirma que também recebe doações (17). Apenas duas organizações referem as dotações oficiais e oito assinalam outras origens.

A esmagadora maioria das instituições atua na área da educação/alfabetização/formação e "o impacto desta atuação" é o aspeto mais apontado pelas organizações, que dão alguns exemplos: redução da taxa de abandono escolar e maior sucesso escolar, iniciativas para criação de creches e a capacitação dos seus educadores.

O estudo constatou que dois terços das instituições não conseguiram "identificar, quantificar ou descrever" o impacto da ação dos voluntários no terreno com resultados de curto (até 1 ano), médio (até 3 anos) e longo (mais de 3 anos) prazo.

Os autores do trabalho recomendam que as instituições estabeleçam "objetivos claros e indicadores de concretização transparentes (nas diversas dimensões pessoais e sociais da intervenção) para que possa haver uma avaliação dos resultados que introduza a consciência de realização e satisfação em todas as partes".

As conclusões do estudo indicam que os voluntários são "pessoas qualificadas e motivadas, mas que nem sempre a formação preparatória que antecede o envio vai ao encontro das necessidades do terreno de intervenção, o que pode ter como consequência que as competências técnicas dos voluntários não sejam cabalmente aproveitadas nos projetos no terreno".

O voluntário missionário, quando parte em missão, dever estar "munido de um diagnóstico de situação sólido e rigoroso acerca da realidade que vai encontrar".