Sociedade

Antigo bispo do Funchal diz que "todas as classes têm defeitos"

Antigo bispo do Funchal diz que "todas as classes têm defeitos"

O antigo bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria, considera "um exagero" as críticas feitas à Igreja por causa dos casos de pedofilia, alegando que "todas as classes têm defeitos deste género".

"Se formos ver em proporção, a Igreja é a que tem menos, se bem que tenha maior responsabilidade", justificou, em declarações à agência Lusa em Londres, onde participou no sábado num jantar de solidariedade com as vítimas das enxurradas na Madeira.

O prelado disse viver-se uma "época em que se difundem todas as formas de imoralidade" e em que "a sociedade fica um pouco gangrenada".

"Muitos destes casos são casos de doenças muito profundas que ainda não sabemos explicar nem recuperar", denunciou.

D. Teodoro de Faria, bispo do Funchal entre 1982 e 2007, recordou ainda o "problema difícil" que foi a condenação do padre Frederico por homicídio de um menor do qual teria abusado sexualmente, em 1993.

O padre brasileiro foi levado para a Madeira e feito secretário particular por Teodoro de Faria, mas este garante que não sabe dele desde que Frederico Marcus Cunha fugiu para o Brasil.

"Ele diz que nunca viu aquele rapaz, nunca o encontrou e que não sabe quem era", recordou, deixando algumas críticas ao processo judicial.

"Foi um caso kafkiano", disse, que deixou "muitas interrogações e sofrimento" e do qual, acrescentou, a "Justiça não saiu muito honrada".

O caso, lamenta, "foi cruel para a diocese, mas ajudou também a purificar".

O bispo emérito disse que não é possível comparar os casos de abusos sexuais a crianças revelados na Irlanda por não existirem na Madeira instituições religiosas do mesmo tipo e manifestou desconhecer casos de pedofilia na Madeira.

Para os casos muito antigos, vincou, "não deve haver perdão, mas deve haver a misericórdia de Deus".