Sociedade

Arcebispo de Braga alerta contra os perigos da "sociedade de consumo"

Arcebispo de Braga alerta contra os perigos da "sociedade de consumo"

"Os homens sem Deus constroem edifícios de cimento armado sem janelas". D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, alarga, na mensagem de Natal que divulgou junto da diocese de Braga, o pedido para que os fiéis passem "do riso da descrença ao sorriso da Fé".

Pede também que aprofundem a crença "naquele que encarnou e abriu uma janela nos edifícios humanos, de modo a contemplarem a luz radiosa de Deus: Jesus Cristo, seu único Filho, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nascendo da Virgem Maria".

D. Jorge recua ao tempo de Jesus para lembrar que, então, "a família era tudo: lugar de nascimento, escola de vida e garantia de trabalho". Mas enquadra, apontando para a dimensão que a família adquiria, ultrapassando as fronteiras do lar, abrangendo um clã que promovia a entreajuda, a partilha, sendo base para amizade sincera.

O arcebispo de Braga vê "os ataques da atual sociedade de consumo" como um perigo que "pode reduzir o Natal a hábitos e rotinas comerciais, que disfarcem o genuíno sentido da sua origem: celebrar o Natal é festejar em família o nascimento do Salvador! Por conseguinte, a imagem da janela aberta traduz em si uma nova gramática do humano", na medida em que possibilita a entrada do transcendente no nosso interior "e, simultaneamente, obriga-nos a olhar para o exterior, exigindo-nos a corresponsabilidade familiar, à semelhança da família de Nazaré".

"Porque se a chaminé (natal comercial) traz a satisfação do "eu", a janela aberta (natal católico) favorece a comunhão do "nós". Trabalhemos a nossa realidade familiar e abramos as portas da nossa família ao mundo", desafia o arcebispo de Braga.

O processo passará pelas famílias que devem "perder a vergonha e fazer um breve momento de oração, antes da refeição da Ceia de Natal, louvando os dons de Deus e recordando os irmãos que perderam a segurança familiar".

O imperativo natalício, encontra-o D. Jorge na música "Adeste Fideles laeti triumphantes", sugerindo que "só contemplando o presépio com o código da fé, compreendemos o milagre do Natal: a união da família! Sem ela, o indivíduo fica privado de um projeto de realização humana".