Sociedade

Crise aumenta número dos "sem teto"

Crise aumenta número dos "sem teto"

A crise em Portugal está a deixar mais pessoas sem teto, alertou o coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental, Álvaro de Carvalho, ressalvando que o fenómeno, recente, ainda não está quantificado.

Álvaro de Carvalho participa, esta sexta-feira, em Lisboa, no seminário "Saúde Mental e Pessoa Sem-Abrigo: Onde, Como e Porquê?", organizado pela Fundação Cidade de Lisboa.

Uma das conferências versa sobre a realidade europeia e a mudança do perfil da pessoa sem-abrigo e é proferida pelo psicólogo italiano Luigi Leonori, co-fundador da rede europeia da organização internacional SMES (Saúde Mental Exclusão Social).

Antecipando o tema do painel, o coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental, Álvaro de Carvalho, admitiu à agência Lusa que está a aumentar em Portugal o número de pessoas sem teto, "pessoas que estão na rua desde que há crise" e que, "na sequência das dificuldades económicas, ficaram sem casa e sem capacidade para se alimentarem".

"As pessoas sem teto não encontram outra alternativa senão a rua, em consequência da dramática crise económica", vincou, esclarecendo que os tradicionais sem-abrigo, "eventualmente com condições económicas e família", optam por estar na rua "por razões psíquicas", sendo situações que duram "há muitos anos".

Álvaro de Carvalho não apresentou números dos "sem teto", ressalvando que o fenómeno social, recente, "não está ainda quantificado e suficientemente estudado", embora esteja "a verificar-se em várias cidades do país".

O coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental alertou, neste contexto, para o impacto nocivo da pobreza na saúde mental, lembrando que "as várias situações de crise que se têm verificado nos Estados Unidos e na Europa evidenciam um aumento da ansiedade e da depressão e, em pessoas de maior suscetibilidade, um risco acrescido de suicídio".

O seminário, que inclui também intervenções do diretor-geral da Saúde, Francisco George, e de representantes de instituições sociais e de saúde, pretende, nas palavras de Álvaro de Carvalho, "encontrar estratégias que permitam melhorar o potencial de resposta na área da saúde mental".

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