Sociedade

Crise leva cada vez mais portugueses para os EUA

Crise leva cada vez mais portugueses para os EUA

Com a crise instalada em Portugal, são cada vez mais os portugueses que viajam para os Estados Unidos da América (EUA) à procura de novas oportunidades de trabalho, uma nova vaga de emigração que é visível em Newark.

Bruno Costa, presidente do Sport Clube Português, em Newark, afirmou à agência Lusa que se assiste, neste momento, a uma "nova vaga de emigração" de portugueses que procuram uma oportunidade de trabalho nos EUA.

"Nestes últimos meses nota-se umas caras novas na comunidade, nomeadamente a servir nos restaurantes. Há muita malta nova que decidiu aventurar-se e bem", salientou.

Muitos destes novos emigrantes juntam-se à comunidade portuguesa em Newark, onde, segundo garantiu Bruno Costa, "são bem recebidos" e onde conseguem também o primeiro emprego.

Ao cruzar, por exemplo, a Ferry Street surgem logo vários estabelecimentos comerciais com nomes como a "Vinhas Jewelery" (joalharia), a "Teixeira Bakery" (padaria), o "Pão da Terra" ou a "Nova Aliança Bakery".

Há bandeiras portuguesas espalhadas pelas fachadas das portas, as ementas de muitos restaurantes estão escritas em português e aos domingos a Igreja Nossa Senhora de Fátima fica cheia.

"O pessoal aqui é espetacular. Recebem-nos muito bem. Os primeiros empregos normalmente são junto da comunidade porque, para eles, é muito mais fácil. Falas a língua. Aqui há também muitos brasileiros e espanhóis. Torna-se mais fácil a adaptação", sublinhou.

Com a economia americana também em dificuldades, Bruno Costa referiu que não há muitos empregos disponíveis, mas salientou que "há quem faz empregos".

"A malta é mesmo assim. "s vezes nem precisam mas para ajudar conseguem empurrar, alargar mais um pouco e meter outra pessoa", referiu.

Um destes novos emigrantes trabalhava como jornalista em Portugal. Aos 30 anos sentiu que já não conseguia crescer mais na profissão, quer ao nível profissional quer monetário e, por isso, decidiu emigrar para os EUA, onde foi acolhido pela irmã.

Este jornalista, que preferiu não revelar o nome, começou por trabalhar numa fábrica de pão e, há cerca de duas semanas, conseguiu arranjar trabalho na sua área de formação, numa estação de televisão.

O trabalho na fábrica era duro, entre as 10 e as 12 horas por dia e seis dias por semana.

"Não deixa de ser curioso porque em seis, sete anos de exercício da profissão em Portugal nunca me surgiu a oportunidade de dar o tal salto em frente que eu procurava e, aqui, em poucos meses, essa oportunidade acabou por surgir", salientou à Lusa.

A adaptação não foi fácil, mas segundo este jornalista agora, que está a fazer aquilo que gosta, as coisas estão a correr melhor.