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D. Jorge Ortiga: "É tempo de arriscar sem medo"

D. Jorge Ortiga: "É tempo de arriscar sem medo"

D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, desafia industriais, comerciantes e trabalhadores a arriscar e encontrar na crise uma nova oportunidade de relançar a economia. Na mensagem de Natal, o arcebispo de Braga convida à contenção consumista e a uma partilha com aqueles que menos têm.

"Sabemos que a sociedade hodierna obriga-nos a acreditar nas potencialidades do momento em que vivemos. É mais fácil cruzar os braços. Desanimar. Pensar que não vale a pena e deixarmos-nos levar pelo pecado do desânimo. Urge acreditar que da crise pode surgir uma nova oportunidade, válida para industriais, comerciantes, para quem oferece trabalho ou o pode criar. É hora de arriscar e não ter medo!", defende D. Jorge Ortiga.

Mas o maior perigo, identificado pelo prelado é o consumismo. "O maior risco do tempo de Natal é quando ele se torna numa ocasião de pecado em prol de um consumismo desenfreado, em vez de uma oportunidade para exercermos a bem-aventurança da misericórdia", aponta o arcebispo de Braga, na sua mensagem de Natal.

D. Jorge Ortiga refere que, entre "os inúmeros pecados atuais, o pecado original do consumismo continua a vigorar entre nós", para o que considera ser "uma mentalidade subtil que, para sermos felizes, exige-nos ter todas aquelas coisas que a sociedade e a publicidade nos incitam a ter".

D. Jorge Ortiga entende que, "quando já damos mais valor às coisas do que às pessoas, este pecado torna-se mortal, porque mata a convivência humana: uma convivência que é essencial para a felicidade e realização pessoal", lembrando que "fomos criados para a misericórdia e o melhor exercício de misericórdia que podemos produzir é ajudar a 'calçar' os inúmeros pés descalços que circulam pela nossa sociedade: os pés calejados pela descriminação, os pés feridos pelo desemprego e os pés ensanguentados pela fome".

Assim, o arcebispo apela para que, na noite de Natal, sejam acesas as vela que a Cáritas Portuguesa tem distribuído pelo país e "recordemos todos os pés descalços que circulam na nossa vizinhança a reclamar uma vida nova. Impõe-se que descentralizemos a nossa atenção: fixemo-nos menos em nós e mais nos outros".