Sociedade

D. Policarpo diz manifestações de rua não resolvem problema do país

D. Policarpo diz manifestações de rua não resolvem problema do país

O cardeal Patriarca de Lisboa defendeu, sexta-feira, em Fátima, que os problemas do país não se resolvem em manifestações de rua e "nem com uma revolução se resolvia".

"Não se resolve nada contestando, vindo para grandes manifestações", afirmou D. José Policarpo alertando para o fato da democracia representativa estar em causa.

"A única coisa que neste momento é preocupante, é uma democracia que se define constitucionalmente como uma democracia representativa, onde as funções alternativas têm lugar próprio para serem apresentadas, e que neste momento está na rua", afirmou.

"Até que ponto é que nós construímos uma saúde democrática com a rua a dizer como se deve governar. Isso é perfeitamente fora da nossa constituição e da compreensão do nosso sistema democrático", disse ainda o cardeal patriarca durante a conferência de imprensa que antecedeu o início da peregrinação aniversária de outubro ao santuário de Fátima.

Para D. José Policarpo "o que está a acontecer é uma corrosão da harmonia democrática da nossa constituição e do nosso sistema constitucional".

Frisando que Portugal vive hoje "uma situação particularmente difícil", o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) criticou "a balbúrdia de opiniões" que tem vindo a ser expressas, e nas quais a Igreja não se irá meter. "Não me considero competente e não gostaria de ver a minha voz a ser mais uma", assumiu.

"A reacção coletiva a este momento nacional dá ideia que a única coisa que se pretende é mudar, mudar o governo. Não sei se esse é o caminho. Não me compete a mim pronunciar nem sequer tenho opinião a esse respeito", sustentou D. José Policarpo.

"Há uma coisa que eu sei: é que a situação que se criou dentro de um sistema económico-financeiro que estamos inseridos na União Europeia, tem de ser encontrada. Não temos outras soluções e para muitas delas não há dois caminhos, há só um" disse ainda, lembrando que "é à arte política que compete embrulhar esse caminho, mitigando-o e praticando a equidade", disse ainda o cardeal.