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Darwin renova-se com descobertas feitas pela Ciência

Darwin renova-se com descobertas feitas pela Ciência

O Ano de Darwin arrancou com a palestra de um filósofo. Michael Ruse veio dizer que o evolucionismo evoluiu com descobertas da Ciência, sejam elas da Biologia, Paleontologia ou da Geofísica, impensáveis há 150 anos.

Sabemos hoje coisas que Charles Darwin não conhecia quando, há 150 anos, elaborou a sua teoria sobre evolução das espécies: realidades como o ADN, o processo de extinção dos dinossauros, a deriva dos continentes ao sabor das placas tectónicas ou a evolução humana de um ponto de partida muito mais primitivo que o então único vestígio conhecido do Neanderthal. Estes foram pontos de destaque da palestra ontem dada por Michael Ruse e que marcou, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, a abertura do Ano de Darwin.

Michael Ruse tem formação filosófica, sendo agora professor na Universidade da Florida e, conforme descreveu Alexandre Quintanilha, faz a ponte entre as ciências naturais e ciências humanas.

No essencial, Ruse veio dizer que muitos dos marcos científicos a partir do século XIX foram confirmando a teoria de Darwin sobre a adaptação das espécies às condições envolventes no sentido da sobrevivência.

Ruse não usou a palavra "retrógrados" para descrever os defensores do criacionismo, posição que se tem conseguido impor nos programas escolares de alguns estados dos EUA, muitas vezes defendendo que a Terra tem idade só um pouco mais avançada que a de Jesus Cristo. Em vez disso, o filósofo, que tem vários livros publicados como "Um cristão pode ser darwiniano? - A relação entre Ciência e Religião", afirmou que os criacionistas visam mais os estilos de vida das sociedades modernas do que propriamente a teoria de Darwin. "A evolução é para eles uma bandeira, o que os incomoda é as mulheres usarem calças", simplificou, para acrescentar que desse lado não há argumentação científica.

No campo dos exemplos, o orador convidado comparou a evolução do evolucionismo de Darwin com o que aconteceu aos carros "Carocha", desde a criação dos seus antepassados, na Alemanha de 1938: "É o mesmo carro, mas os modelos de agora não partilham uma única peça com os antigos". Assim, a teoria sobre a evolução das espécies por selecção e adaptação ao meio estabelecida há século e meio "foi completamente transformada, mas é a mesma teoria". Ela não está, deste modo, fora de prazo de validade, apesar de rodeada do mesmo tipo de críticas, acrescentou.

O surgimento de críticas ao evolucionismo foi associada por José Mariano Gago "aos anos de crise, quando se exacerbam velhas questões". O ministro da Ciência afirmou que, se tal aconteceu ao longo dos últimos 150 anos, o Ano de Darwin, em que se comemoram também dois séculos de nascimento do naturalista, "é oportunidade para a aprendizagem das ciências em Portugal". Gago apelou ainda aos investigadores portugueses para que elaborem trabalhos sobre o debate do evolucionismo no nosso país.

O programa Ciência Viva mantém no site "www.darwin2009.pt" informações sobre as iniciativas deste ano.

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