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Emigrantes não percebem como se vive com 500 euros por mês

Emigrantes não percebem como se vive com 500 euros por mês

Sandra não queria ir para a Alemanha quando, em 1988, então com 12 anos e Portugal com dois de integração na CEE, a mãe decidiu que a família iria juntar-se ao pai, que vivia perto de Estugarda.

Não queria ir na altura, não estaria lá hoje, se pudesse lá não estar. "Se em Portugal houvesse condições de trabalho, voltava já para cá", confessa Sandra Boiça, já com mais tempo de Alemanha do que de Viseu, onde nasceu. Tem 35 anos, dois filhos, é auxiliar numa clínica de psiquiatria e acaba de atravessar a fronteira de Vilar Formoso para cinco semanas de férias. "Os alemães são muito diferentes, têm mentalidade fria e não têm coração, amizade por ninguém", agrava Sérgio, o marido, ali ao lado, emigrante da segunda geração, funcionário da Mercedes há 11 anos, também ele nostálgico do berço que o faz "conduzir com ansiedade de chegar, quase sem parar". Ambos dizem não perceber "como conseguem as pessoas viver em Portugal com 500 euros por mês" e não perdoam ao país ter abdicado do escudo. "Perdemos a independência, ficou tudo pior e mais caro". E o que é pior: "Temos agora a Merkel, parece que manda em toda a gente, pensa que é dona da Europa; até os alemães dizem."