Sociedade

Faltam três minutos para o Juízo Final

Faltam três minutos para o Juízo Final

O comité do Boletim de Cientistas Atómicos alertou, quinta-feira, para as ameaças à humanidade, como a guerra nuclear e as alterações climáticas, e adiantou os ponteiros do relógio do "Juízo Final" para três minutos antes da meia-noite.

O relógio, que é uma imagem figurada em que a meia-noite representa o final, converteu-se num indicador universalmente reconhecido da vulnerabilidade do mundo às ações do homem e ao avanço da tecnologia.

A diretora executiva do Boletim, Kennette Benedict, indicou, durante uma conferência de imprensa, em Washington, que a modernização das armas nucleares e o aquecimento global representam uma ameaça "extraordinária e desigual" para a existência da humanidade.

"A probabilidade de uma catástrofe global é muito alta", advertiu o grupo de cientistas, que inclui 17 Prémios Nobel, que se reúnem anualmente para avaliar o dano que a ação do homem pode causar ao planeta.

Os cientistas indicaram que os líderes mundiais falharam na redução dos arsenais nucleares para um nível necessário que garanta a segurança dos cidadãos perante uma hipotética catástrofe nuclear.

Pelo contrário, países como a Índia, o Paquistão ou Israel continuaram a investir na modernização das suas armas nucleares, indicou Sharon Squassoni, membro do programa de prevenção da proliferação do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, que destacou que os EUA e a Federação Russa ficaram aquém do necessário para reduzir os respetivos arsenais.

O grupo entendeu também que não se fez o suficiente para evitar o aquecimento global, que pode elevar a temperatura média do planeta entre três e oito graus centígrados até ao final do século, algo que, assegurou, será "catastrófico" para a Terra.

A gravidade destes perigos levou os cientistas a adiantar o relógio em dois minutos, dos cinco em que tem estado nos últimos três anos.

Os cientistas pediram aos políticos e aos cidadãos que tomem medidas quanto antes porque, fundamentou um investigador da Instituição Scripps de Oceanografia, da Universidade da Califórnia, Richard Somerville, "ainda não é tarde para agir no combate às alterações climáticas, mas as oportunidades [também] acabam".

Este cientista acrescentou que as alterações climáticas "não têm nada que ver com política ou ideologia, mas sim com as leis da química, da física e da biologia", as quais, sublinhou, "não são negociáveis".

Somerville disse ainda que a ciência já demonstrou "amplamente" que a ação humana é a causa do aquecimento global e alertou que a falta de recursos naturais, como a água devido a secas, pode ser um fator de agravamento de conflitos internacionais.

Desde que foi criado, em 1947, o relógio já foi ajustado 18 vezes. A última vez que o relógio foi alterado foi em janeiro de 2012, quando avançou um minuto dos seis para os cinco para a meia-noite.

A vez em que esteve mais perto da meia-noite foi em 1953, quando os EUA e a então União Soviética estavam a desenvolver a bomba de hidrogénio.

Ao contrário, as mudanças políticas na Europa de Leste permitiram que os ponteiros fossem afastados da meia-noite para os 17 minutos, em 1991.