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Famílias com uma só pessoa quase duplicaram em 50 anos

Famílias com uma só pessoa quase duplicaram em 50 anos

As famílias com uma só pessoa quase duplicaram em 50 anos, representando 8% da população de Portugal, revelam dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, que assinalam também uma redução significativa da dimensão dos agregados familiares.

O número de famílias unipessoais passou de 11,5%, em 1960, para 20,4%, em 2011, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), que assinala o grande crescimento desta realidade a partir de 1991, no destaque "Como evoluíram as famílias em Portugal?", divulgado esta quarta-feira.

Em 1991, 435864 pessoas viviam sozinhas e, em 2011, eram já 866827, número que representa 8% da população portuguesa.

O aumento das famílias unipessoais registou-se na generalidade do território português, assinala o INE, adiantando que, em 2001, a maior preponderância destas famílias se fazia sentir no sul do país, na Grande Lisboa e no Interior Centro. Em 2011 aumentou o número de regiões que registam uma proporção de famílias de uma só pessoa acima dos 20%.

Estas famílias são sobretudo constituídas por mulheres (5,2% contra 3% de homens) e quase metade das pessoas nestes agregados têm 65 ou mais anos (46,9%).

Inferior é a percentagem de pessoas até 49 anos que viviam sozinhas, situando-se nos 7,4% na faixa entre os 15-29 anos e de 24%, entre os 30 e os 49 anos.

As famílias unipessoais acima dos 65 anos encontram-se sobretudo em municípios do interior Norte e Centro, como reflexo do envelhecimento da população que vive nestas regiões.

Apesar do aumento das famílias unipessoais, Portugal mantém-se ainda abaixo da média europeia quanto ao peso destas famílias na população total (14,5% na UE27).

O envelhecimento da população e as mudanças de vida na população mais jovem, sobretudo solteiros e divorciados, explicam, segundo o INE, este aumento.

Os dados do INE revelam ainda uma "redução significativa" da dimensão das famílias portuguesas, que passaram de 3,8 pessoas em 1960 para 2,6 em 2011.

O INE assinala também um decréscimo das famílias numerosas (pelo menos 3 filhos), que eram, em 2011, 4,8% do total de famílias e 7,4% das famílias com filhos.

Regista-se ainda uma diminuição "expressiva" da percentagem de famílias com mais de cinco pessoas que, em 2011, representavam apenas 2% das famílias, em comparação com os 17,1%, em 1960.

O casal continua a ser a forma de organização familiar predominante, com 59% das famílias a serem constituídas por um casal, em 2011.

Os casais com filhos continuam a ser predominantes, mas caíram de 47,5%, em 1960, para 35,2%, em 2011.

O número de casais sem filhos aumentou, passando de 14,8 para 23,8 das famílias em meio século.

As famílias complexas - aquelas em que, ao casal, com ou sem filhos, se juntam outras pessoas aparentadas - caiu quase para metade, passando de 15,4, em 1960, para 8,7, em 2011.

O INE destaca ainda a diminuição do número de idosos a viverem em famílias complexas, que baixou de 19,6% para 15,8%, entre 2001 e 2011.