ASTRONOMIA

Fuso horário ainda divide opiniões

Fuso horário ainda divide opiniões

Amanhã, domingo, voltamos acertar os relógios para o horário de Inverno, atrasando uma hora, quando forem 2 horas. Se, em Portugal, não existem discórdias quanto ao fuso 0 em vigor, já em Inglaterra há quem não se conforme com a respectiva hora legal.

Corria o ano de 1992. Portugal, cujo Governo era encabeçado por Cavaco Silva, adoptava o horário da Europa Central (fuso +1), sob a máxima de facilitar as comunicações e transportes internacionais.

Contudo, as queixas iam-se acumulando. As pessoas saíam de casa às 9 horas da manhã, no Inverno, ainda o Sol despontava no horizonte. No Verão, o céu enegrecia por completo apenas por volta da 1 hora. "Isto interferia na vida social e económica", ressalva Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL). Para este cientista, o fuso horário zero, alterado no governo de António Guterres, a partir de 1996, "reúne consenso".

Contudo, a média do país aponta o fuso -1 como o ideal, daí que o actual fuso se distancie, numa média, de "37 minutos" em relação à hora do Sol, "um número que não é significativo",considera.

Volvidos treze anos desde o abandono do fuso da Europa Central, aplicado em países como a Espanha, França e Alemanha, (fuso +1), no que toca a Portugal, a aplicação do fuso 0, pela Comissão Permanente da Hora do OAL, de acordo com o estipulado pelos governos subsequentes aos de Guterres, não tem gerado discórdias. Já em Inglaterra, onde vigora também o fuso 0, ainda se discute a aplicação do fuso +1.

Poupança de energia e redução da poluição, são os argumentos dos defensores, alicerçados num estudo da Universidade de Cambridge. Neste, concluiu-se que há desperdício de energia durante a manhã e que a eficiência energética seria maior com mais horas de luz solar à tarde. Poupar 885 Gigawatts-hora nos meses de Inverno, o equivalente à electricidade gasta por 200 mil casas durante um ano, e reduzir a emissão de 446,925 toneladas de carbono, seria, assim, possível, aponta Elizabeth Garnsey, professora de Estudos de Inovação.

Mas a alteração de fuso não está na ordem do dia em Inglaterra, em parte, devido a Portugal. A britânica conta que, no relatório produzido por deputados para o Parlamento inglês, foi referido que Portugal experimentou o GMT+1 hora e isso foi considerada uma razão para "não o adoptar no Reino Unido".

O certo é que, amanhã, não obstante o atraso, as badaladas baterão à mesma hora nos dois países.

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