Sociedade

João Cordeiro mantém-se na direcção da Associação de Farmácias

João Cordeiro mantém-se na direcção da Associação de Farmácias

O histórico presidente da Associação Nacional de Farmácias, João Cordeiro, que se demitiu em Setembro, vai continuar na comissão directiva que liderará a organização até às próximas eleições e admite alienar património, anunciou este sábado a associação.

A Associação Nacional de Farmácias (AN) elegeu este sábado em Assembleia Geral a nova comissão directiva, que governará a associação até 28 de Janeiro, quando decorrem as eleições para escolher a nova direcção, depois da demissão a 29 de Setembro, do órgão liderado por João Cordeiro, em protesto por a ANF ter sido "marginalizada" da discussão sobre a decisão do Governo de reduzir os preços dos medicamentos.

A nova comissão directiva "definiu como prioridades, entre outras, o reforço da ligação com a população e a possibilidade de alienação do património da ANF", disse a associação em comunicado.

O órgão eleito "funcionará de forma colegial", disse fonte oficial da ANF citada pela Lusa, e tem como principal prioridade, segundo o comunicado, defender as finanças do sector das farmácias.

"A nossa primeira prioridade é a situação financeira das farmácias. É uma situação muito difícil e temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para evitar o seu agravamento. Por isso mesmo, a manutenção da data de pagamento das comparticipações às farmácias, no dia 20 de cada mês, é uma prioridade absoluta", refere o programa de acção da comissão directiva.

"Se for preciso alienar património da ANF para garantir a manutenção desse pagamento, nessa data, essa alienação deve ser feita. Não haverá excepções. Se for necessário alienar o Museu da Farmácia, aliena-se. Se for necessário alienar a sede, aliena-se", acrescenta o programa, que vigora até às eleições de Janeiro.

A comissão directiva diz, assim, que vai ordenar a avaliação de todo o património da associação, para eventual venda, e admite no programa que as farmácias precisam de mudar.

"A situação para que fomos arrastados pela crise do país obriga-nos a encarar o futuro de forma diferente. A nossa prioridade tem de ser agora, inevitavelmente, a redução dos custos operacionais das farmácias. Não é fácil, mas não temos alternativa para procurar garantir a sobrevivência das farmácias (...) É necessária uma maior atenção aos aspectos financeiros, em particular à negociação com os fornecedores e com as instituições de crédito", sublinha o programa de acção.

O novo órgão da ANF promete ainda reduzir o serviço de turnos e respectivos encargos, eliminar o horário semanal mínimo de 50 horas e a obrigatoriedade de um segundo farmacêutico, e criar uma lista de medicamentos não sujeitos a receita médica de venda exclusiva em farmácia.

A anterior direcção da ANF demitiu-se em consequência da aprovação do decreto-lei que estabelece um novo regime de formação do preço dos medicamentos com o objectivo de conseguir "uma baixa generalizada dos respectivos preços" e "uma redução nos gastos públicos".