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Mais de metade dos casais têm apenas um filho

Mais de metade dos casais têm apenas um filho

Mais de metade dos casais portugueses têm apenas um filho, tendência que se acentuou nas últimas décadas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, que registam também um aumento dos casais sem filhos e das famílias monoparentais.

Dos 2745928 casais existentes em Portugal em 2011, 55% tinham apenas um filho. Em 1991 essa percentagem era de 44% e, em 2001, de 51%, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta quarta-feira e que analisam a evolução da realidade familiar portuguesa nos últimos 50 anos.

O INE regista também um aumento dos casais sem filhos, que representam já 41% do total de casais portugueses. Em 1991, eram 32% e, em 2001, 35%.

O maior aumento destes casais registou-se nos grupos etários até aos 39 anos, o que, segundo o INE, indicia o adiamento da parentalidade.

O número de casais com três ou mais filhos sofreu uma quebra (17% em 1991, 11% em 2001 e 8% em 2011), tendo-se mantido relativamente estável o número de casais com dois filhos (39% em 1991 e 2001 e 38% em 2011).

A tendência para a diminuição do número de filhos verifica-se também nas famílias recompostas (separados ou divorciados que voltam a formar família), apesar de nestes casais a percentagem de filhos continuar a ser mais do dobro da do total de casais com filhos.

O número de casais recompostos mais do que duplicou desde 2001, passando de 46786 para 105763 em 2011, o que fez aumentar o seu peso no total dos casais com filhos.

Também as uniões de facto com e sem filhos aumentaram, com variações de 120% e 80%, respetivamente, face a 2001.

O crescimento das uniões de facto é ainda mais expressivo nos casais recompostos, com seis em cada 10 destes casais a viverem este tipo de união.

O número de uniões de facto é maior na região da grande Lisboa, Península de Setúbal, Alentejo Litoral e Algarve (acima de 20%), zonas onde um em cada cinco casais vivem em união de facto.

As famílias monoparentais continuam também a crescer, sobretudo as só de mães com filhos menores de 18 anos, que na década de 2001-2011 cresceram 47,7%.

Em 2011, existiam em Portugal 480443 famílias monoparentais, que representavam 14,9% do total de famílias e 22,9% das famílias com filhos.

Estes valores representam um crescimento de 35% deste tipo de família em relação a 2001.

Destas 480443 famílias, 416343 eram constituídas só por uma mãe e 64100 só por um pai.

A grande diferença entre o número de agregados de pai e mãe sós indica, segundo o INE, "a persistência da 'guarda materna' após o divórcio ou separação".

Em 2011, 15% das famílias monoparentais com filhos menores de 18 anos eram afetadas pelo desemprego, sendo mais elevado no caso das mães.

Os dados apontam ainda que cerca de um terço das famílias monoparentais com filhos menores vivem em famílias complexas - em que ao pai/mãe se juntam outras pessoas aparentadas 32,4% em 2011).