Sociedade

Mariana e Marta querem chegar aos três filhos

Mariana e Marta querem chegar aos três filhos

Daqui a quatro meses, Mariana e Marta serão mães de um menino. Ainda que casadas, só uma pode legalmente dizer que é mãe, devido à proibição imposta aos homossexuais. Nada que assuste este casal de lésbicas, que planeia ter mais filhos e para quem desistir de ser feliz não faz parte dos planos.

Professoras de língua gestual, Mariana Martins e Marta Morgado tentaram, desde 2007, simultaneamente, engravidar com ajuda clínica, em Barcelona - porque, por cá, apesar da baixa natalidade, as lésbicas estão proibidas de o fazer (quer individualmente, quer em casal). À quinta tentativa, a sorte saiu à Mariana, há cinco meses.

"Chegámos lá através de um casal de portuguesas que já o tinham feito", contou, ao JN, a mulher que transporta o bebé que, em princípio, se chamará Mateus. Pelo menos, é, por agora, o nome que reúne mais consenso.

Cruzaram o olhar, através de amigos, em 2003. Dois anos depois os corações entrelaçaram-se. E, já em 2007, ainda longe de pensar que Portugal viria a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, decidiram que uma vida a duas só enriqueceria se o amor que sentiam uma pela outra tivesse formato de gente.

"Quando nos escondemos, a mensagem que passamos às pessoas é que estamos a fazer qualquer coisa de mal. Ora, queríamos ter filhos e por isso não pensámos duas vezes. As dificuldades? Resolvem-se quando surgirem", despachou Mariana, de 36 anos.

Aos 34 anos, Marta parece, ligeiramente, mais receosa. "Não sei se na escola as coisas mudarão. Mas o meu superior hierárquico deu-me todo o apoio", admitiu, num enorme atelier com vista sobre Lisboa.

A reação de Mariana não durou muito a surgir: "Tu vais ser sempre uma boa professora, como foste até hoje".

Estão casadas desde Setembro, sob o regime de "Comunhão de Bens" - como frisam. Agora, dedicam-se, além da troca de experiências no "Famílias arco-íris", a perceber que direitos terá Marta. Aliás - sublinhe-se - até onde podem ir as duas, usando o que a legislação têm de dúbio.

"Já sabemos que a Marta pode ser considerada madrasta. Só que isso não chega. E que poderá gozar de uma licença, não de maternidade mas de apoio à família. A mim, neste caso", explicou Mariana, esclarecendo que nunca as duas se sentiram discriminadas ao longo da vida.

Por agora, a felicidade da maternidade divide-se por este casal, que quer ter um total de três filhos. "Seremos duas mães. Haverá figuras masculinas na família. E não desistiremos perante os obstáculos que surgirem", acrescentou.