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Marinha portuguesa está a "operar no limite"

Marinha portuguesa está a "operar no limite"

O Chefe do Estado Maior da Armada afirmou, este domingo, que a Marinha está a "operar no limite", com o ministro da Defesa, Aguiar-Branco, a garantir que a reforma 2020 vai permitir aumentar a operacionalidade.

Durante a cerimónia de comemoração do Dia da Marinha, que decorreu no Barreiro, o Chefe do Estado Maior da Armada, Saldanha Lopes, disse que a Marinha não passou ao lado da crise.

"Durante o ano transato, apenas efetuamos as ações de treino e manutenção estritamente necessárias à manutenção dos níveis mínimos de operacionalidade. Neste contexto pode tudo isto parecer normal, mas devo alertar que não é possível prolongar esta situação por mais tempo, pois estamos a navegar e operar no limite", afirmou.

Saldanha Lopes referiu que o prolongar da situação pode potenciar a ocorrência de acidentes, com o material, por ausência de manutenção, ou com o pessoal, por ausência de treino, uma vez que "o risco aumenta exponencialmente com a diminuição do investimento nestas áreas".

"É necessário colmatar o défice de manutenção dos meios navais, das infraestruturas e dos meios de transporte, bem como a exaustão dos 'stocks' de sobressalentes. É necessário retomar os níveis de treino, para garantir elevados níveis de operacionalidade dos meios, e assim diminuir o risco de acidente", salientou.

O Chefe do Estado Maior da Armada frisou ainda que é necessário que sejam garantidas verbas para a manutenção e operação dos submarinos e defendeu que se deve retomar os programas de reequipamento da esquadra, designadamente a construção dos Navios de Patrulha Oceânica.

O ministro da Defesa, Aguiar-Branco, que presidiu a cerimónia, afirmou que a reforma 2020 vai aumentar a capacidade operacional das forças armadas em geral, referindo que vai existir "um rácio mais adequado" entre o que se deve gastar com pessoal, manutenção e a parte operacional.

"A reforma visa aumentar capacidade operacional. É uma distribuição mais racional dos recursos, permitindo mais treino e mais operação. No fim da reforma, estimada para 2015, vamos ter umas forças armadas com mais capacidade operacional", afirmou.

Aguiar-Branco explicou que as alterações não devem ser vistas como cortes, mas sim como um redimensionar através de alterações estruturais.

"O Orçamento para a Defesa deve ter um referencial de 1,1 do PIB [Produto Interno Bruto], com variação de 0,1 para cima ou para baixo, consoante as circunstâncias. Este é um referencial realista e exequível", defendeu.

O ministro da Defesa garantiu que as forças armadas vão estar sempre em condições de cumprir as suas missões.

"Mesmo no ano passado, em situação de grande exigência orçamental, foi possível cumprir a missão na Guiné Bissau, onde foi preciso gastar 5 milhões mais do que o previsto. Os portugueses podem estar tranquilos que as Forças Armadas e a Marinha estarão sempre em condições de cumprir as suas missões", concluiu.

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