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Mortes solitárias "não são raras", defende médico

Mortes solitárias "não são raras", defende médico

O presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, Mário Durval, disse, este domingo, que as mortes solitárias de idosos acontecem com frequência e estão relacionadas com a evolução demográfica e com o isolamento.

"Não é tão raro como isso. Cada vez há mais pessoas a viverem sozinhas e obviamente morrem desacompanhadas, só que normalmente as famílias dão por isso", justificou.

Segundo este médico, as mortes de idosos são muitas vezes comunicadas no próprio dia, ou dois ou três dias depois, na maior parte dos casos por "famílias que mantêm o contacto" ou por vizinhos.

Mário Durval salientou que "esta situação é consequência da evolução demográfica: há um aumento do número de idosos e um aumento do número de idosos que vivem sozinhos".

O delegado de saúde considerou que os casos de solidão são ainda mais graves nas cidades devido ao "anonimato".

"Nas periferias ou em zonas mais ruralizadas é mais fácil dar por isso quando os vizinhos deixam de aparecer ou quebram as rotinas".

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde, corporação que foi chamada para recolher o corpo do idoso de 80 anos, encontrado morto em sua casa em S. Mamede Infesta, Matosinhos, afirmou também à Lusa que situações como esta "acontecem com alguma frequência".

Carlos Teixeira referiu que abrir a porta de uma casa de um idoso que vive sozinho e que não responde a conhecidos é como "entrar num prédio de onde sai fumo de uma janela", considerando que não se pode ignorar determinadas situações.

Mário Durval alertou, por outro lado, para a necessidade dos idosos terem um acompanhamento mais próximo por parte das instituições e lembrou que o corpo da idosa que morreu em Sintra só foi descoberto, oito anos após a sua morte, devido à penhora da casa onde residia.

"Para o Fisco e para a Segurança Social não existem pessoas, existem números. A nossa governação não vai no sentido de valorizar as pessoas", lamentou o especialista de saúde pública.

Mário Durval criticou também "o distanciamento técnico" das instituições fazem parte das redes de apoio desta população.

Nos últimos dias foram encontrados três idosos mortos em casa há vários dias, sendo o caso mais mediático o da mulher encontrada morta no seu apartamento, de Rio de Mouro (em Sintra).