Sociedade

Muçulmanos, judeus e cristãos oram juntos na mesquita de Lisboa

Muçulmanos, judeus e cristãos oram juntos na mesquita de Lisboa

Muçulmanos, judeus e cristãos oraram, esta sexta-feira, juntos pela paz na Mesquita central de Lisboa, iniciativa que volta a acontecer no sábado e no domingo, respetivamente, na Sinagoga do Rato e na Igreja de Santo António de Campolide.

A frase "'a paz esteja convosco' é comum a estas três religiões", afirmou o imã da mesquita, David Munir, na preleção que antecedeu a oração pela paz, acrescentando em seguida: "O Senhor é único e é o que dá e tira a vida".

"Tu és a paz. Aceita os nossos pedidos e que o nosso país seja um exemplo. Senhor nosso abençoa o nosso país, a nossa sociedade e protege-nos de todos os males", disse o imã ao concluir a oração.

O presidente da comunidade islâmica de Lisboa, Abdol Valkil, também usou da palavra para afirmar que "todos os muçulmanos que amam e respeitam o seu Profeta Maomé, tal como respeitam todos os outros profetas e mensageiros de Deus, Abraão, Moisés e Jesus, filho de Maria, ficam sempre magoados quando são dirigidos atos ou palavras ofensivas aos profetas e mensageiros de Deus".

"Os ensinamentos do nosso Profeta Maomé são de paciência, tolerância, gentileza e misericórdia sem limites, de forma nobre e digna, virtude que fazem parte do seu nobre caráter, e que se deverá refletir nas nossas reações", disse Valkil.

À margem da cerimónia, o presidente da comunidade judaica em Lisboa, José Oulman Bensaúde Carp, disse à Lusa que "são mais as coisas que unem os três credos do que as que dividem".

O líder judaico referiu, entre outros pontos em comum com os cristãos, o Velho Testamento, e a coincidência de muitas datas festivas, "apesar de significado diferente", e, com os muçulmanos, várias práticas, como a de abate dos animais, por degolação, e a forma de os preparar, a gastronomia, assim como o facto de ambos não comerem porco.

"Os muçulmanos antes de orarem lavam as mãos e os pés, os judeus lavam as mãos, mas os antigos também lavavam os pés", disse.

O padre católico João Nogueira sublinhou o facto de esta "oração pela paz" se realizar "dentro da identidade de cada religião".

Também a comunidade hindu, do Templo de Shiva, se juntou à cerimónia, tendo o sacerdote Apurv Jani realçado que "a única diferença é a forma como oramos, mas fazemo-lo todos ao mesmo Deus".

Esta oração pela paz, uma reação aos atentados em Paris, nos passados dias 07 e 11, nos quais morreram 20 pessoas, incluindo os autores dos ataques, foi uma iniciativa do presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto.

Esta sexta-feira, dia de oração para os muçulmanos, rezou-se na Mesquita central de Lisboa, no sábado, dia de descanso para os judeus, reza-se na Sinagoga, ao largo do Rato, em que oficiará o rabi Eli Rosenfeld, e, no domingo, dia do Senhor para os católicos, ora-se na Igreja de Santo de António de Campolide, em que oficiará o padre João Nogueira.

João Nogueira realçou "a solidariedade expressa pela força da dor" e recordou que, desde o papado de Paulo VI (1963-1978), a Igreja Católica dedica, anualmente, uma semana ao ecumenismo. Este ano a semana ecuménica inicia-se, precisamente no próximo domingo.