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Namoro juvenil com excesso de violência

Namoro juvenil com excesso de violência

Cinquenta e sete por cento dos adolescentes e jovens do distrito do Porto entre os 15 e 19 anos dizem ter sido vítimas de comportamentos abusivos nas suas relações de namoro, indicam os resultados preliminares de um estudo da investigadora Madalena Oliveira.

De acordo com a docente da Universidade Fernando Pessoa, citada pela Agência Lusa, os resultados preliminares do seu estudo indicam ainda que "45% dos jovens admitem terem sido violentos nas suas relações amorosas".

"Falamos de violência física, psicológica e sexual. Os comportamentos mais usados pelos jovens são o insulto (16%), difamações (11%), impedir contacto com outras pessoas (16%), bofetadas (17%), puxões de cabelo (6%), empurrões violentos (8%) e esganadura (4%)", afirmou.

Madalena Oliveira realçou que "estes actos causam muitas vezes ferimentos e alguns necessitam de assistência médica". Treze por cento dos comportamentos físicos abusivos resultaram em ferimentos, um terço dos quais com necessidade de assistência médica.

"As mulheres são tão violentas como os homens, embora estes sejam mais agressivos fisicamente e as mulheres cometam mais comportamentos emocionalmente abusivos", salientou.

Os dados preliminares resultam de inquéritos a cerca de 300 adolescentes e jovens do distrito do Porto, mas a investigadora já alargou o estudo aos distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila real, Bragança e Aveiro.

Apesar da análise aos restantes distritos ainda não estar concluída, Madalena Oliveira sublinhou que os dados compilados permitem desde já avançar que "continua a predominância de abuso físico e emocional".

"Temos de apostar na prevenção e sensibilização junto das famílias, começando com as crianças desde o início. E temos de afastar os agressores", defendeu a investigadora, frisando que a violência entre parceiros "é um fenómeno social alarmante". Numa outra vertente do seu estudo, a docente concluiu que 70% dos adolescentes e jovens legitimam a violência doméstica. "Há um fenómeno transgeracional de violência doméstica. A probabilidade de estes jovens repetirem e serem vítimas de violência no futuro é altíssima", alertou Madalena Oliveira.

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