Sociedade

Novas barragens vão dar de bebera 860 mil pessoas

Novas barragens vão dar de bebera 860 mil pessoas

Só falta a barragem de Veiguinhas, em Bragança, para completar o sistema multimunicipal de abastecimento de água em Trás-os-Montes e Alto Douro, que servirá 860 mil pessoas. Ontem, foram inauguradas mais quatro.

Coube ao ministro da Ambiente, Nunes Correia, descerrar as lápides dos sistemas das Olgas, em Torre de Moncorvo, e do Balsemão, em Lamego. E inaugurou, de forma simbólica, os de Sambade, em Alfândega da Fé, e da Ferradosa, em Freixo de Espada à Cinta.

Ao todo, investimentos de 58 milhões de euros, por parte da Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro (ATMAD), para abastecer cerca de 138 mil habitantes de 11 concelhos. "Uma questão de coesão nacional", resumiu Nunes Correia, salientando "o grande passo" que é garantir água "em quantidade e qualidade" a muitos milhares de pessoas.

O concelho de Bragança ainda vai ter de esperar, pois a construção da barragem de Veiguinhas "tem um processo complexo de licenciamento ambiental", disse Artur Magalhães, presidente da ATMAD, que espera conclusões "até ao final deste ano".

Torre de Moncorvo já tinha quatro barragens para abastecer o concelho, mas foi preciso construir a das Olgas para "resolver, definitivamente, o problema de abastecimento à vila", notou o autarca, Aires Ferreira. Em 2006, recorreu-se a uma solução de emergência para não deixar a vila a "morrer" à sede. A partir da albufeira do Pocinho, no rio Douro, foi bombada água para um sistema de tratamento especial que se manteve em funcionamento até agora.

Lamego também já teve de beber a partir o rio Douro. No ano seco de 2005, foi preciso transportar água em camiões autotanques para dar de beber à cidade. A barragem do Balsemão vai "resolver o tradicional e grave problema de água em Lamego, considerou o autarca, Francisco Lopes. Curiosamente, a zona de montanha daquele concelho é rica em recursos hídricos, pelo que "não fazia sentido continuar sem uma reserva estratégica de água", notou.

Francisco Lopes mostrou-se preocupado com o aumento previsível do preço da água. Entende que o custo do abastecimento e tratamento vai ser "absolutamente incomportável para o nível sócio-económico da região". Partindo da sua convicção de que no litoral se paga menos pela água do que no interior, sugeriu que o Governo deveria arranjar uma solução para "homogeneizar os preços em todo o país, tal como acontece com a luz".

O ministro do Ambiente respondeu que não se pode comparar os dois serviços e que é preciso "valorizar a água em função da sua escassez". É que o que corre nas torneiras "não é água da chuva, é tratada e obriga a muitos investimentos". Concedeu, porém, que é preciso encontrar uma "solução equilibrada que leve as pessoas a contribuir na medida das suas possibilidades". Frisou que há pessoas a pagar 10 cêntimos por metro cúbico, o que na sua opinião é "indecoroso".