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Ouro e prata para irmãos nas olimpíadas da Matemática

Ouro e prata para irmãos nas olimpíadas da Matemática

Todos os finalistas das Olimpíadas Portuguesas de Matemática, que hoje, domingo, terminaram em Évora, são "vencedores", mas, dos 24 alunos medalhados, dois irmãos de Alcanena conseguiram o feito excepcional de "arrecadar" ouro e prata.

Já com a medalha de ouro ao peito, vitória que "saboreou" pela segunda vez - no ano passado ganhou o mesmo metal -, Miguel Martins Santos, de 15 anos, aguardava pelo resultado do irmão mais velho.

Aos jornalistas, confessava-se "um bocadinho" nervoso, mas achava que o irmão, João Pedro, de 18 anos, também iria regressar a casa, em Alcanena (Santarém), com uma medalha.

Pouco depois de serem conhecidos os 12 medalhados na categoria A, a de Miguel, destinada aos alunos dos oitavo e nono anos do terceiro ciclo do básico, desfez-se o mistério.

As "contas" bateram duas vezes à mesma porta e João Pedro foi um dos 12 alunos do secundário, na categoria B, a subir ao palco para as medalhas, no seu caso com o brilho da prata.

"Pelo meu irmão, já estava à espera que ele fosse obter esse resultado, mas relativamente a mim tinha algumas dúvidas", reconheceu.

O encerramento da 28ª edição das Olimpíadas Portuguesas de Matemática (OPM), cuja final juntou em Évora 60 alunos, foi presidido pela ministra da Educação, Isabel Alçada, que entregou as medalhas aos 24 melhores "matemáticos".

Em cada uma das duas categorias, foram distribuídas, além de outros prémios, três medalhas de ouro, três de prata e seis de bronze.

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), organizadora das OPM, apontou como "vencedores" todos os 60 finalistas, mas foi aos irmãos Miguel e João Pedro e à sua mãe, Isabel Martins, professora de Matemática, que a felicidade e orgulho foram servidos em "dose dupla".

"Estou satisfeitíssima e orgulhosa, mas o mérito é todo deles. Eles é que merecem isto", congratulou-se, explicando que os filhos "sempre gostaram muito" de Matemática e, por vezes, até já a ultrapassam: "No entusiasmo, pelo menos".

Em casa, disse, os filhos "falam de Matemática como se estivessem a falar de futebol" e "conversam um com o outro" sobre a área que os apaixona, ao ponto de, às vezes, o pai, bancário, até desabafar "tirem-me deste filme".

Miguel também reconheceu que é "preciso uma pausa" numa casa com "três pessoas a falar de Matemática", mas, embora os seus 15 anos ainda não o façam preocupar-se muito com o futuro, sabe que é a área que gostava de seguir.

"Gostava de ensinar, acho importante passar os conhecimentos e as capacidades que temos", disse, enquanto João Pedro repetia que a Matemática é igualmente um dos seus "maiores gostos".

Já Beatriz Henriques Xavier, de 13 anos, aluna da Escola Básica Integrada de Vale Rosal, em Almada, foi uma das medalhas de bronze, prémio que "não esperava", ainda para mais para reconhecer uma aplicação que, ao invés de trabalho, encara como "diversão".

"Não estou sempre agarrada aos livros. Desde pequena que gosto de Matemática e, quando soube das olimpíadas, entrei, mas nem esperava passar da primeira fase. Não sei se é bem estudar. Eu faço por me divertir", afiançou.

Rita Ranhola, da Agência Lusa

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