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Portugueses sorriem menos

Portugueses sorriem menos

Os portugueses estão a sorrir menos e a exibir mais a face neutra, concluiu o Laboratório de Expressão Facial da Emoção (FEELab) da Universidade Fernando Pessoa, após a análise de quase 34 mil fotografias publicadas, durante o ano passado, na imprensa diária.

O estudo faz parte do projecto inédito a nível mundial "Uma década de sorriso em Portugal", iniciado em 2003 e que já examinou mais de 310 mil imagens.

Armindo Freitas-Magalhães interessa-se pelo sorriso há mais de 20 anos, quando conheceu aquela que é hoje a sua esposa. O sorriso dela era diferente, recorda. Diferente na intensidade, na frequência, e seduziu-o, tanto em termos românticos como a nível de investigação. "O sorriso encerra o mistério da ciência", considera o investigador das expressões faciais.

Sete anos de pesquisa sobre o sorriso tornaram evidente uma diminuição relevante na frequência e intensidade do sorriso em 2010. A face neutra foi a expressão mais exibida e o sorriso superior (em que é visível a feira superior de dentes) deu lugar ao fechado (com reduzida actividade muscular, também considerado de sedução). "Há um declínio acentuado na expressividade", sublinha o director do FEELab, que aponta o contexto económico como factor de inibição do sorriso.

Menos sorriso significa menos felicidade e, também, menos saúde mental. O desaparecimento do sorriso, "um dos principais organizadores do psiquismo humano", potencia sentimentos e comportamentos negativos e perturbações mentais.

As mulheres continuam a sorrir mais do que os homens e fazem-no principalmente em situações de tensão e embaraço, segundo Freitas-Magalhães. "As mulheres sentem que se não sorrirem serão mal-interpretadas, enquanto o homem não tem tanta necessidade de ser agradável." As mulheres não só sorriem mais, como reconhecem melhor as emoções dos outros e têm mais tendência para as simular, acrescenta o especialista.

O sorriso é frequentemente forçado, mas um sorriso falso não consegue imitar a dilatação das pálpebras inferiores e as rugas nas extremidades que ocorrem quando o sorriso é verdadeiro, ou seja, resulta de uma genuína emoção de alegria. "Não há dois iguais", conclui Freitas-Magalhães.

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