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Prazer sexual é determinado pelas emoções

Prazer sexual é determinado pelas emoções

Homens e mulheres ficam objectivamente mais excitados com filmes pornográficos do que com os eróticos. No entanto, a resposta fisiológica não significa obrigatoriamente que haja prazer, porque a "sexualidade é muito mais do que erecção e lubrificação".

A equipa do Sexlab (Unidade Laboratorial de Investigação em Sexualidade Humana) da Universidade de Aveiro conduziu uma investigação com o objectivo de testar a influência de vários factores (como tipo de relacionamento, crenças, pensamentos e emoções) na excitação sexual nas suas duas vertentes: reacção fisiológica (erecção e vasocongestão vaginal/lubrificação) e resposta subjectiva (sensação de excitação e de prazer).

Para isso, foram utilizados diferentes estímulos - filmes eróticos e relacionais e outros sexualmente explícitos - e diversas instruções sexuais, como fantasiar com o companheiro/a ou com estranhos. O estudo preliminar envolveu 29 mulheres e 25 homens.

Os resultados - hoje apresentados no 10.º Congresso da Federação Europeia de Sexologia, que decorre no Porto - demonstram que existe uma discrepância entre a resposta sexual subjectiva e a resposta sexual fisiológica.

Ou seja, os sinais mais fisiológicos e involuntários de activação sexual não significam obrigatoriamente prazer subjectivo. Isto é verdade tanto nas mulheres como nos homens, ao contrário do que tradicionalmente se pensava.

A diferença poderá residir no facto de a sensação de excitação e de prazer ser em grande parte determinada por pensamentos e emoções, enquanto a resposta fisiológica é relativamente independente de factores psicológicos, afirma Pedro Nobre, sublinhando que este estudo é pioneiro na demonstração de que os pensamentos e emoções estão fortemente correlacionados com o prazer sexual.

É que a sexualidade humana é "muito mais do que uma erecção do homem ou a vasocongestão vaginal que leva à lubrificação nas mulheres", acrescenta o especialista. Para que haja prazer sexual, o factor mais determinante é mesmo a presença de emoções positivas e de pensamentos de natureza sexual, conclui o estudo.

Melhor sexo, melhor saúde

Estas conclusões têm implicações em termos de promoção da saúde sexual e até da saúde em geral, já que as pessoas que reportam maior satisfação sexual apresentam, em média, menos doenças e mais qualidade de vida, segundo o responsável do Sexlab.

Assim, se os pensamentos e as emoções são determinantes no funcionamento sexual, vale a pena investir em psicoterapia e consultas especializadas de sexologia, por forma a melhorar a saúde sexual dos portugueses, defende Pedro Nobre.

Em Portugal, assiste-se, porém, ao oposto: um claro desinvestimento nesta área, traduzido na existência de apenas oito consultas muito centralizadas geograficamente (Guimarães, Porto, Coimbra e Lisboa) e de cerca de 30 especialistas nos serviços públicos. Se a oferta se encontra à míngua, a procura está a aumentar, devido à crescente consciencialização de que é possível melhorar a sexualidade recorrendo a ajuda especializada.

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