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Quercus considera que pacote de Durban "tem falta de ambição"

Quercus considera que pacote de Durban "tem falta de ambição"

A Quercus considera que o "Pacote de Durban", acordado na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas Contra as Alterações Climáticas, tem "falta de ambição" e "é para demasiado tarde".

"O denominado "Pacote de Durban" tem falta de ambição, não apresenta um caminho claro de redução de emissões e concordou com um fundo climático que está vazio", refere o comunicado da Associação Nacional de Conservação da Natureza (Quercus), a propósito do acordo alcançado esta madrugada, em Durban, na África do Sul.

Para a Quercus, "Durban deu um passo em frente para um tratado global mas continuamos num caminho para um aumento de temperatura de 4 ºC em relação à era pré-industrial e portanto acima de um aumento de 2 ºC que constituem o limite acima do qual as alterações climáticas serão catastróficas".

Ao acusar o "Pacote de Durban" de "falta de ambição", a Quercus apontou que "as conversações nas Nações Unidas sobre o clima apenas são fortes se as políticas foram igualmente fortes".

"Houve uma importante e positiva aliança da União Europeia, países menos desenvolvidos e países pequenas ilhas. Os Estados Unidos conseguiram impedir muitos dos países progressistas de tomarem as acções desejadas, e nesse sentido foram apoiados pelo Canadá, Austrália e Nova Zelândia. O Japão e a Rússia não desempenharam o papel que podiam ter assumido", refere a associação no documento ao qual a agência Lusa teve acesso.

A associação ambientalista defende que "o Protocolo de Quioto de momento está enfraquecido por ter basicamente apenas a Europa, Austrália e Nova Zelândia, sendo que também estes dois últimos têm levantado algumas dúvidas em relação ao futuro".

Além disso, "muitos assuntos particulares, por exemplo, a contabilização das emissões do uso do solo e floresta, a integração da captura e armazenamento de carbono nos mecanismos de flexibilidade, podem levar a que o objectivo de redução de emissões não seja alcançado como desejado", indicou.

As metas temporais traçadas são um dos alvos de crítica da associação ambientalista, que considera demasiado tardia a entrada em vigor em 2020: "Admitindo o seu sucesso, será já tarde demais, de acordo com o que se conhece dos cenários que implicam um pico de emissões anterior precisamente a 2020".

Ao destacar que "o documento é também fraco no seu conteúdo geral", a Quercus concluiu que "os países falharam" na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas Contra as Alterações Climáticas, e que "muitos governos continuam a ouvir os poluidores mais do que as populações".

Numa referência final a Portugal, a associação ambientalista defendeu que o "o tema das alterações climáticas tem de ganhar maior participação pública e um maior reflexo nas políticas energéticas, em particular na área dos transportes e da produção de electricidade, respeitando um desenvolvimento sustentável".

"O país deve suportar activamente a passagem imediata do objectivo europeu de redução de emissões de gases com efeito de estufa de 20% para 30% entre 1990 e 2020", defendeu, por fim, a Quercus.