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Quercus: "Destruição de floresta prejudica cumprimento de Quioto"

Quercus: "Destruição de floresta prejudica cumprimento de Quioto"

Os incêndios florestais aumentam as emissões de dióxido de carbono e reduzem a área de floresta, sumidouro dos gases com efeito de estufa, prejudicando o cumprimento do protocolo de Quioto por Portugal, disse hoje, sábado, o vice-presidente da Quercus.

Francisco Ferreira afirmou à Lusa que há consequências dos incêndios florestais na emissão de dióxido de carbono e de outros gases com efeito de estufa que contribuem para as alterações climáticas e que deverão ter atingido 1,1 milhões de toneladas, nas contas da Quercus, ou 520 mil toneladas, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, até 15 de Agosto.

A diferença entre estes números deve-se à contabilização ou não dos matos, situação que confere "uma incerteza grande inerente à forma de cálculo das emissões da floresta".

A esta situação vem juntar-se a redução da área de floresta portuguesa, destruída pelos fogos dos últimos anos.

"Se tenho uma área que era de floresta em 1990 e que este ano ardeu e passou a ser área sem floresta, a capacidade que tinha em 1990 de retirar carbono deixa de ter agora e isso prejudica os objectivos que Portugal tem de cumprir em termos de Quioto", pois "deixa de ter essa zona como sumidouro para retirar carbono da atmosfera", explicou o vice-presidente da associação ambientalista.

Uma informação da associação aponta que a mudança de uso do solo associada aos incêndios "constitui uma diminuição dos sumidouros em Portugal, tornando mais oneroso o cumprimento do protocolo de Quioto".

A Quercus exemplifica com 425 mil hectares ardidos em 2003, dos quais 286 mil afectando povoamentos florestais, e 339 mil hectares destruídos em 2005, em que 213,5 mil eram povoamentos.

Para o total de 2009, a área ardida foi de 86 778 hectares e em 2010, até 15 de Agosto, foi de 78 600 hectares, segundo os números disponíveis.

Segundo a explicação da Quercus, "a diferença entre a ocupação do solo em 1990 e em cada um dos anos do cumprimento do protocolo de Quioto (que vigora entre 2008 e 2012) vai ser contabilizada nas emissões a que Portugal tem direito".

Uma área florestal destruída pelo fogo e que não tenha recuperado de modo a ser considerada floresta ou que tenha passado a espaço urbano "contará negativamente em relação a 1990".

Portugal "fez uma aposta clara em utilizar este sector para o cumprimento do protocolo de Quioto, pelo que no médio/longo prazo é necessário um melhor conhecimento científico das emissões associadas", defende a Quercus.

Para a associação, é também necessária "uma maior capacidade de recolha exaustiva de dados e uma aposta numa melhor gestão florestal e em povoamentos de floresta autóctone".

O protocolo de Quioto é um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases com efeito de estufa, considerados como a principal causa do aquecimento global.