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Robôs humanóides fazem quase tudo

Robôs humanóides fazem quase tudo

Eles fazem quase tudo. Dançam, falam, lêem textos e reconhecem caras. São os robõs humanóides e a coqueluche das equipas de futebol robótico. Uma plataforma robótica francesa foi apresentada em Aveiro.

O desenvolvimento de uma equipa de robôs humanóides, pensada não só para a tarefa do futebol robótico como para um vasto conjunto de outras tarefas de interacção com humanos, é o objectivo da Actividade Transversal em Robótica Inteligente (ACTRI) da Unidade de Investigação do Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática da Universidade de Aveiro (IEETA), segundo António Neves capitão da equipa de futebol CAMBADA da Universidade de Aveiro, que ontem promoveu a apresentação de uma plataforma robótica humanóide NAO produzida pela empresa francesa Aldebaran Robotics, bem como das suas ferramentas de desenvolvimento.

O robô apresentado no pequeno anfiteatro do Instituto de Telecomunicações de Aveiro faz quase tudo: dança, fala (inglês e francês), reconhece rostos, acede a e-mails - através de uma rede sem fios consegue comunicar com os programadores e outros robôs iguais - e reage ao toque das pessoas , para além de manter o equilíbrio e de saber a sua posição no espaço.

Na aprendizagem do robô, os programadores utilizam dois métodos, um deles aprendizagem genética, onde as várias gerações de robôs vão colocando à prova por selecção natural a programação e, um outro , por linguagem de programação. Possui ainda um software que permite que até as crianças possam programar os movimentos do robô.

A plataforma robótica apresentada ontem em Aveiro tem custos estimados em dez mil euros (com equipamento) ao contrário da plataforma da Fujjitsu, que segundo foi afirmado pode custar 70 mil euros.

Os custos são, aliás, o motivo que levou a equipa aveirense a optar pela apresentação da plataforma francesa. "É a mais acessível", disse ao JN, António Neves.

O desenvolvimento de uma linha de investigação em que se possibilite que uma equipa de humanóides ganhe aos humanos daqui a 40 anos é o objectivo dos investigadores aveirenses, que não descartam a possibilidade de os robôs humanóides possam vir a realizar tarefas de alto risco.

Recorde-se que os robôs da Universidade de Aveiro (UA) dominaram no ano passado o Festival de Robótica Nacional, tendo em Julho. a equipa de futebol robótico da UA, Cooperative Autonomous Mobile roBots with Advance Distributed Architecture (CAMBADA), ganho o titulo de campeã do mundo na classe Middle Size League (MSL) do Robocup 2008, uma das mais importantes e prestigiadas competições de robótica móvel a nível mundial que decorreu em Suzhou, China.

Também o Laboratório de Sistemas Autónomos do Instituto de Engenharia do Porto, no ano passado, na Feira de Hannover, Alemanha, uma das mais importantes mostras mundiais de tecnologia industrial, apresentou o FALCOS, uma aeronave não tripulada para detecção de fogos florestais e vigilância marítima, e o ROAZ, um robô de monitorização marítima de superfície que pode analisar a qualidade da água e detectar náufragos.

Este ano, terá lugar a Robocup Federation, criada em 1997 para promover a investigação em robótica e inteligência artificial, em Graz, na Áustria, entre 29 de Junho e 5 de Julho.

São esperados cerca de 3 000 participantes, de 24 equipas, oriundos de 40 países de todo o Mundo.

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