Sociedade

Sexting é a nova epidemia de cyberbullying entre os jovens

Sexting é a nova epidemia de cyberbullying entre os jovens

O sexting é uma nova forma de cyberbullying, cada vez mais frequente entre os jovens. Na semana passada, um rapaz britânico de 14 anos foi preso por publicar um vídeo pornográfico que ele e a namorada protagonizavam, no Facebook.

O sexting tem-se tornado um problema cada vez mais frequente. Trata-se de uma nova forma de cyberbullying, uma prática que afeta adolescentes por todo o mundo. Em 2009, um estudo revelou que um terço dos jovens já teria sofrido bullying no mundo cibernáutico.

Sexting consiste em enviar conteúdos sexuais provocatórios como imagens, mensagens ou clips de vídeo, através do telefone ou da internet. De acordo com Sherry Adhami, membro do grupo de caridade britânico Beatbullying, que se destina a prevenir atos de bullying, sexting tornou-se uma epidemia que ataca cada vez mais jovens por todo o mundo.

Na passada semana, um rapaz britânico de 14 anos foi preso por ter publicado no Facebook um vídeo pornográfico protagonizado por ele e pela sua namorada.

Em declarações ao jornal britânico, "The Telegraph", vários jovens revelaram que esta realidade é bastante mais comum do que aquilo que se pensa. Amy, de 16 anos, disse, inclusive, que "se perguntar por aí, eu conseguiria, provavelmente, obter entre 10 a 20 fotografias que foram enviadas ou postas no Facebook, em menos de uma hora".

Sherry revelou ao "The Telegraph" que a organização de caridade tem visto "mais e mais casos, até mesmo em escolas primárias". Em 2009, a Beatbullying desenvolveu uma sondagem com 2 mil crianças e descobriu que um terço já tinha recebido mensagens online sexualmente explícitas e um quarto tinha já recebido imagens de igual cariz.

Nova era de experiências sexuais

As experiências sexuais sempre fizeram parte da vida de um adolescente. No entanto, especialistas temem que os jovens estejam a ser coagidos a providenciar fotografias explícitas no mundo online, que são depois partilhadas sem o seu consentimento através de telemóveis e redes sociais, um processo conhecido como "doxing".

Quando falamos em sexo online, as oportunidades de experimentar são substancialmente maiores, e o controlo paternal substancialmente menor.

Jonathan Baggaley, membro da Exploração Infantil e Centro de Proteção Online (CEOP) explicou ao "The Telegraph" que "pela primeira vez na história da humanidade, toda a gente tem uma câmara no bolso e com aplicações como o Instagram pode-se partilhar uma fotografia por múltiplas plataformas com o clicar de um botão".

Baggaley acredita que o aumento de pornografia online facilmente acessível é um fator responsável pela existência e frequência desta realidade. "Os jovens têm acesso a pornografia muito mais agressiva do que aquilo que acontecia há 10 ou 15 anos atrás", diz. "Temos de nos perguntar: será que isso influencia o que os jovens põe por si na internet?".

Jovens tornam-se mais vulneráveis à pedofilia

O membro do CEOP lembra ainda que os jovens se estão a pôr em risco perante pedófilos. Cada vez mais, adolescentes usam a webcam para ter experiênciassexuais, não só com o seu namorado ou namorada, mas também com audiências mais vastas, através de serviços como o Skype, chats online com webcam ou sites como o Chatroulette, onde o participante conversa com um estranho aleatório.

Investigadores da Universidade de Plymouth revelaram que 40% dos jovens entre os 14 e os 16 anos afirma ter amigos que se envolveram em sexting. Cerca de 20% não pensa que existe algo de errado com a nudez das imagens em questão e 40% considera o topless aceitável.

O professor Andy Phippen, que desenvolveu a investigação de Plymouth, considera que o "comportamento normal" está a sofrer um processo de distorção. O professor questiona: "O que será destes jovens quando crescerem? Eles precisam de entender que, se desenvolvem interesse por um colega, devem convidá-lo para uma bebida, não enviar-lhe uma imagem explícita de si mesmos".

Consequências devastadoras do sexting

O caso mais sério de sexting data de março de 2009 quando Jessica Logan, uma jovem de 18 anos, cometeu suicídio depois de sofrer este tipo de cyber-bullying. Jessica, natural de Ohio, enviou fotografias onde se encontrava nua para o seu namorado. Quando terminaram a relação, o rapaz partilhou as imagens com outras raparigas da escola. Logan foi ofendida e começou a fugir à escola, para evitar os responsáveis pelos tormentos. Eventualmente, Jessica Logan enforcou-se.

O resultado de atos de sexting pode ser devastador. Jovens relatam que se sentem aterrorizados e perdem a confiança até nos amigos mais próximos. É frequente raparigas serem pressionadas a se exporem e, depois, são humilhadas por isso.

Os especialistas consideram que raramente os jovens pensam sobre as consequências das suas ações. Além disso, vivemos num mundo em que a partilha de qualquer tipo de imagens se tornou prática comum. Jonathan Baggaly lembra que é importante fazer os jovens entender que, quando se tira uma fotografia indecente a um menor de 18 anos, se está a infrigir a lei.

O rapaz britânico de 14 anos que foi preso por ter publicado no Facebook um vídeo pornográfico protagonizado por ele e pela sua namorada, na semana passada, publicou uma fotografia sua, no Twitter, a agarrar o jornal local onde aparecia na primeira página a notícia da sua detenção.

Os especialistas defendem a urgência de uma consciencialização do real problema, tanto por parte dos pais, como dos educadores nas escolas.