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Vagueira é a zona onde erosão provoca maior recuo da costa

Vagueira é a zona onde erosão provoca maior recuo da costa

O litoral da Vagueira, em Aveiro, é a zona que regista maior recuo da linha da costa, mas é na Caparica, em Lisboa, que a população considera o risco de erosão mais grave, conclui um estudo.

Em realização desde março de 2010 pelo Instituto de Ciências Sociais e pela Faculdade de Ciências, o estudo refere que Portugal é um dos países europeus mais afetados pela erosão europeia, apesar de 80% da população viver na costa e de 85% da riqueza produzida no país ter origem junto ao mar.

O estudo, que está em fase de conclusão, tem como objetivo final determinar as medidas a aplicar perante os riscos da redução de território a favor do mar e que podem passar pela construção de um mecanismo de bloqueio da água do mar, pelo recuo das populações ou por uma situação intermédia, explicou à agência Lusa um dos cientistas envolvidos, Filipe Duarte Santos.

Para estudar o nível de erosão e as medidas a adotar, os cientistas escolheram três regiões como casos-estudo: Vageira, na zona de Aveiro, Costa da Caparica, em Lisboa, e Quarteira, no Algarve.

"Na zona da Vagueira, por exemplo, o risco de perda de terreno é muito grande", avançou à Lusa Filipe Duarte Santos, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e especialista em alterações climáticas.

"Nos anos 40, o sítio onde as ondas rebentavam na Vagueira, portanto a linha de costa, estava afastado cerca de um quilómetro relativamente ao sítio onde hoje está", lembrou.

O recuo da costa torna-se mais preocupante já que é provocado por um outro fator, sublinhou Filipe Duarte Santos.

"Além do défice que resulta das barragens, também temos uma subida do nível médio do mar. Essa subida foi de cerca de 15 centímetros no século passado, o que corresponde a 1,5 milímetro por ano. Atualmente o nível médio do mar está a subir mais de 3 milímetros por ano e, até ao fim do século, a subida do nível médio do mar irá ser superior a meio metro e pode ir até um metro", calculou.

"É um problema que nos vai acompanhar a nós, aos nossos filhos, aos nossos netos", admitiu o especialista.

"Não podemos fazer ao longo da nossa costa um paredão de norte a sul e em todo o Algarve. Temos é que selecionar pontos em que vamos ser muito agressivos e construir infraestruturas robustas para evitar o avanço do mar, porque há outros sítios em que vamos ter que deixar que o mar siga o seu caminho", concluiu.

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