FEUP

Investigador do Porto apresenta estudo sobre fenómeno explosivo em estrelas

Investigador do Porto apresenta estudo sobre fenómeno explosivo em estrelas

Um investigador da Universidade do Porto publicou recentemente numa revista internacional de Astronomia um estudo que revela que quando as órbitas de duas estrelas estão no ponto de maior proximidade interagem num evento explosivo.

O investigador e professor na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), Paulo Garcia, explica que a interferometria vai permitir obter informação com uma precisão angular "500 vezes superior" à de um telescópio num dos melhores observatórios do mundo.

A técnica utilizada na investigação é conhecida por interferometria e foi publicada pela primeira vez na sexta-feira passada na revista internacional "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society".

"Existe outra tecnologia, a ótica adaptativa, que corrige em tempo real a cintilação das estrelas. Mas mesmo assim, a interferometria obtém informação 50 vezes mais precisa angularmente", explica Paulo Garcia, acrescentando que esta tecnologia é "muito importante, porque as estrelas estão muito próximas e a sua separação angular é muito pequena".

O estudo permitiu observar duas estrelas, muito jovens, rodeadas por um disco de poeira e gás, capazes de formar planetas, indica a nota de imprensa esta segunda-feira enviada à comunicação social.

Segundo Paulo Garcia, que começa por explicar este fenómeno com a origem do nosso sistema solar, que se formou através de um disco de poeiras e gás, quando o Sol tinha aproximadamente um milhão de anos de idade (hoje tem cerca de cinco mil milhões de anos), "as estrelas quando são jovens têm uma atividade magnética muitíssimo mais intensa que o Sol.

O fenómeno foi observado através do "Very Large Telescope Interferometer", considerado um dos mais avançados telescópios do mundo, localizado no Chile e que quando integrado com o instrumento AMBER (que combina a luz de três telescópios simultaneamente), deteta o fenómeno explosivo das estrelas.

Paulo Garcia trabalha na origem das estrelas e planetas, designadamente nas medições usando alta resolução angular (interferometria e óptica adaptativa) e na instrumentação associada a estas medições.