Sociedade

Investigadora Maria Manuel Mota vence Prémio Pessoa

Investigadora Maria Manuel Mota vence Prémio Pessoa

A investigadora Maria Manuel Mota foi distinguida com o Prémio Pessoa 2013, anunciou o júri, esta sexta-feira, em Sintra.

Maria Manuel Mota, de 42 anos, licenciou-se na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, desenvolveu estudos sobre a malária e trabalha atualmente no Instituto de Medicina Molecular (IMM).

Na ata do júri do Prémio Pessoa é destacado "o seu empenho entusiástico no que se pode chamar de cidadania da ciência", sendo fundadora e presidente da Associação Viver a Ciência, que "tem como objetivo encorajar a filantropia em Portugal".

Em declarações à agência Lusa, a investigadora confessou que recebeu a notícia do prémio com "completa surpresa". "Era algo que não imaginava que pudesse acontecer".

"Fico muito satisfeita que a sociedade portuguesa considere que a nossa equipa está a fazer um bom trabalho, que merece ser reconhecido, e que isso tem impacto no país, isso dá-nos um grande entusiasmo, uma vontade de continuar a fazer o que podemos fazer melhor: descobrir alguma estratégia para combater a malária", disse.

A investigadora reconhece que o prémio representa também "uma grande responsabilidade". Temos de "pensar o que podemos contribuir mais para a sociedade portuguesa", disse.

Maria Manuel Mota enalteceu "a ascensão magnífica" que a ciência teve nos últimos 15-20 anos e, a esse propósito, dedica este prémio a "toda a comunidade científica portuguesa ou cientistas a fazer ciência em Portugal".

A cientista deixa ainda um alerta: Esta ascensão "não pode desacelerar e obviamente que, nas condições que o país está a atravessar, a ciência também sofre com isso".

Natural da freguesia da Madalena, no concelho de Vila Nova de Gaia, fez o mestrado em imunologia e concluiu a sua tese de doutoramento na University College de Londres, em 1998, tendo feito o pós-doutoramento na New York University Medical Center, em 2001.

Foi investigadora principal no Instituto Gulbenkian de Ciência e é, desde 2005, investigadora principal do IMM e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

O Prémio Pessoa, no valor de 60 mil euros e que vai na 27ª edição, é atribuído anualmente a uma personalidade que "tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país".

Em 2012, o Prémio Pessoa foi atribuído ao investigador norte-americano Richard Zenith, um dos maiores especialistas na obra de Fernando Pessoa, e que está radicado em Portugal desde os anos 1980.

Em anos anteriores foram distinguidos, entre outros, o historiador José Matoso, os poetas António Ramos Rosa e Herberto Helder (que recusou o galardão), a pianista Maria João Pires, o arquiteto Eduardo Souto de Moura, o compositor Emmanuel Nunes, o constitucionalista José Joaquim Gomes Canotilho, a historiadora Irene Flunser Pimentel e o ensaista Eduardo Lourenço.

O júri, presidido por Francisco Pinto Balsemão, integra Fernando Faria de Oliveira, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, João Lobo Antunes, José Luís Porfírio, Maria de Sousa, Mário Soares, Miguel Veiga, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques.

O Prémio Pessoa é uma iniciativa do semanário "Expresso", com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos.