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Jorge Bergoglio, um jesuíta austero e moderado

Jorge Bergoglio, um jesuíta austero e moderado

O argentino Jorge Bergoglio, de 76 anos, eleito esta quarta-feira para suceder a Bento XVI é um jesuíta austero, considerado como moderado e de tendência reformista.

Segundo algumas indiscrições saídas do anterior conclave, em 2005, este terá sido o candidato que disputou a eleição com Joseph Ratzinger, que viria a ser eleito Bento XVI.

A sua eleição é uma estreia na Igreja Católica, que jamais teve como líder um representante da Companhia de Jesus.

Arcebispo de Buenos Aires e primaz da Argentina, este homem tímido e de poucas palavras beneficia de um grande prestígio entre o seu rebanho, que aprecia a sua total disponibilidade e o modo de vida desprovido de qualquer ostentação.

Em 2010, opôs-se vigorosamente à lei que legalizou o casamento homossexual na Argentina, país em que o aborto é proibido. Levantou-se também contra o direito outorgado aos transexuais de mudarem de sexo no estado civil.

Em setembro de 2012, criticou os padres que recusam batizar as crianças nascidas fora do casamento, classificando-os como "hipócritas".

Nascido a 17 de dezembro de 1936 em buenos Aires, o novo Papa pertence a uma família modesta. Filho de um funcionário dos caminhos de ferro de origem italiana, estudou na escola pública. Terminou os estudos formando-se com um diploma de técnico químico.

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Aos 22 anos integrou a Companhia de Jesus, onde estudou humanidades e obteve a licenciatura em filosofia. Após algum tempo no ensino privado, prosseguiu os estudos de teologia.

Foi ordenado padre a 13 de dezembro de 1969.

Menos de quatro anos mais tarde, apenas com 36 anos, foi eleito provincial (responsável nacional) dos Jesuítas argentinos. Assumiu esta responsabilidade durante seis anos.

Durante a ditadura militar argentina (1976-1983), Jorge Bergoglio bateu-se por conservar a unidade de um movimento jesuíta, envolto na teologia da libertação, com uma palavra de ordem: manter a não-politização da Companhia de Jesus.

O futuro cardeal vai depois para Friburgo, na Alemanha, onde obteve o doutoramento. Após o regresso à Argentina, retoma a atividade pastoral como simples pároco de província na cidade de Córdova, a 700 quilómetros de Buenos Aires.

No dia 2 de maio de 1992, João Paulo II nomeia-o bispo de Auca e bispo auxiliar de Buenos Aires. Sobe, então, as escadas da hierarquia católica da capital e recebe a púrpura cardinalícia a 21 de fevereiro de 2001.

Apesra desta carreira meteórica, como homem manteve-se "muito humilde" e "de perfil discreto", de acordo com o padre Marco, um sacertdote citado pela Agência France Presse. Levanta-se às 4.30 horas e termina o dia às 21 horas. Não tem carro e deslocava-se habitulmente nos transportes públicos, tendo renunciado à sumptuosa residência dos arcebispos de Buenos Aires.

Dizem-no muito atento às necessidades dos seus colaboradores, que podem contactá-lo permanentemente através de uma linha telefónica direta. Não dá entrevistas, sendo porém um leitor assíduo da imprensa.

Sabe-se também que é um leitor habitual de José Luis Borges e de Dostoïevski, amante de ópera e fanático do clube de futebol de Buenos Aires San Lorenzo, fundado por um padre. Em 2008, rezou a missa que assinalou os cem anos do clube. Na ocasião, recebeu um cartão de sócio honorário e uma t-shirt do clube.

Monsenhor Bergoglio viu a sua reputação crescer entre os seus pares pelo trabalho como redator adjunto do relatório final do sínodo de outubro de 2001: o principal relator, o arcebispo de Nova Iorque Edward Egan, não conseguiu levar a cabo a sua missão devido aos atentado de 11 de setembro e acabou por caber ao cardeal argentino desenvolver o essencial dos trabalhos.

Na Santa Sé, integrava antes da eleição a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos sacramentos.

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