Sociedade

José Policarpo diz que aprender a viver com menos "vai ser inevitável"

José Policarpo diz que aprender a viver com menos "vai ser inevitável"

O cardeal patriarca de Lisboa, José Policarpo, disse, este domingo, no final da Festa de Natal dos Imigrantes, em Lisboa, que, neste contexto de crise, aprender a viver com menos "vai ser inevitável".

"Vai ser necessário [aprender a viver com menos]. Se é fácil ou difícil, depende de cada um de nós. Agora, vai ser inevitável", disse o cardeal patriarca, repetindo a ideia que deixou na entrevista divulgada este domingo pelo Diário de Notícias e pela TSF, na qual também antevê um período de conflitualidade social e adianta que a Igreja se está a preparar para tempos muito difíceis.

José Policarpo presidiu esta tarde à cerimónia religiosa que, na Sé Patriarcal de Lisboa, reuniu as várias comunidades imigrantes residentes na capital, para, em diferentes línguas, partilharem a mesma fé. A Igreja Católica acolhe "todas as raças e todas as línguas", já que "não se identifica com nenhuma realidade humana, porque as congrega todas", sublinhou, na homilia.

Enquanto assistia à cerimónia, Sílvia Cioata, romena de 35 anos, falou com a Lusa sobre as dificuldades que está a viver. Em Portugal há dez anos e mãe de cinco filhos, diz que só conseguiu trabalhar "três dias no último mês". Faz limpezas domésticas, enquanto o marido "faz tudo". O problema é que "não há nada para fazer". Por isso, esta família não deve "ficar muito mais tempo" em Portugal, porque "não dá, não há dinheiro". Para onde vai, "só Deus é que sabe".

A imigração é "um fenómeno volúvel e precário", disse o cardeal patriarca, quando a Lusa lhe contou o caso de Sílvia Cioata, no final da festa, organizada pelo Departamento da Pastoral da Mobilidade do Patriarcado de Lisboa.

"Tem havido um fenómeno de regresso aos seus países, mas isso até é bom, se regressam em melhores condições", sublinhou, por outro lado.

"As comunidades imigrantes, neste momento, estão solidificadas, hão de sentir a nossa crise como a hão de sentir nos seus países de origem. Não creio que seja alarmante a diferença entre eles [os imigrantes] e o resto dos portugueses", considera.

"Da nossa parte devemos estar atentos aos casos pessoais", realçou. Atenção essa que, destacou, deve começar pela própria comunidade. "Cada uma dessas comunidades tem a mesma possibilidade do que uma paróquia católica de estar atenta e de responder", frisou o cardeal patriarca.

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