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Madrid e Barcelona esperam grande adesão

Madrid e Barcelona esperam grande adesão

O "Movimento 15M", que durante mais de um mês ocupou a Puerta del Sol em Madrid, e que está na génese do protesto global dos indignados do próximo sábado, insiste que o principal objectivo continua ser "consciencializar" mentalidades.

Por isso, no sábado, esperam elevadas participações nas duas principais manifestações previstas para Espanha - Madrid e Barcelona - bem como nas dezenas de cidades espanholas, unidas a centenas de outras cidades em todo o mundo.

"Este é um movimento de longo curso. Não pretendemos conseguir mudanças hoje ou amanhã, mas queremos ir mudando a consciência das pessoas e, através dessa mudança de consciência, mudar as coisas", explicou à Lusa Ricardo Benitez, da "Real Democracia Já", o movimento que convocou o primeiro protesto, em Madrid, a 15 de Maio.

"Durante muito tempo, temos estado a olhar para o lado, ignorando as grandes questões. Agora chegou a hora das pessoas se levantarem e dizerem basta", afirmou.

Depois da grande mediatização sobre a ocupação da Puerta del Sol, o movimento está hoje com uma rede mais integrada, tanto a nível nacional como internacional, apostando em novas ferramentas de diálogo, em sinergias e em assembleias.

Um modelo "participativo e horizontal onde entrem todos", mas sem a aspiração de ser partido político, remetendo para as forças políticas a responsabilidade de "ouvir as reivindicações" dos seus cidadãos "e implementar as propostas".

Em Madrid, o objectivo para sábado é o de uma grande manifestação a partir de vários bairros de Madrid e dos arredores, que se vão concentrar na Praça Cibeles (às 18 horas), seguindo depois para a simbólica Puerta del Sol.

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"No sábado, Madrid será mais uma cidade, como tantas outras que pode ter mais visibilidade porque aqui já conta com mais colectivos a participar, com mais bairros", explicou.

"Nestes meses, o que conseguimos é organizar-nos e procurar uma resposta global a um problema global. O problema da crise é um problema global e a resposta tem que ser global. Por isso, este protesto não se promove apenas em Espanha, mas no resto do mundo", disse.

Em Barcelona, como explica Klaudia Alvarez, do mesmo movimento, também se espera uma grande concentração, sábado, na Praça da Catalunha, que será precedida de acções paralelas nos dias anteriores e que pretendem continuar depois, logo a partir de domingo.

"Esperamos muita gente. Tendo em conta as manifestações prévias. E queremos ampliar a visibilidade do protesto, pelo que haverá muitas acções paralelas", explicou.

Depois do movimento ter perdido intensidade, no final do Verão, volta agora em força com mais protestos e, acima de tudo, à procura de "maior coordenação entre os diferentes colectivos".

"Sabemos que isto não se muda em dois dias. Nem o país, nem o mundo. Tem que ser um processo longo, mas as coisas têm que se ir conseguindo pouco a pouco", disse.

"Estamos a estabelecer sinergias com mobilizações de outros países, porque muitos países, incluindo Portugal, aqui ao lado, e no resto do mundo, vivem situações parecidas", disse.

"À beira de eleições em Espanha, o movimento de indignados espanhol admite que algumas das suas ideias e reivindicações estão a ser "apropriadas" pelos partidos, mas considera que, mais do que as promessas eleitorais, há que implementar a mudança.

"Pode não passar de uma estratégia para captar votos. As estatísticas dizem que a população apoia maioritariamente o 15M e, por isso, dizem que incorporam as propostas", explicou Alvarez.

"Para nós, é indiferente que adoptem ou não as propostas nos programas. O que queremos é que as ponham em prática. Os programas são sempre muito bonitos, mas nunca se cumprem. Não acreditamos nestas promessas eleitorais. As nossas reivindicações serão as mesmas, ganhe quem ganhar", frisou.

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