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Maior cidade da China tenta travar caos motorizado

Maior cidade da China tenta travar caos motorizado

A rede de transportes públicos em Shanghai está em forte crescimento, mas ainda assim insuficiente para travar a multiplicação do parque automóvel. Carro é, para uma população com poder de compra, símbolo social. Veja o vídeo.

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Uma licença de matrícula em Shanghai custa cinco mil renminbis, algo como 500 euros. "Por vezes, é mais cara do que o automóvel". Zhang Lin é filha de um pequeno empreendedor de fora da cidade e o caos no trânsito automóvel merece-lhe um comentário à parte. Trata-se da maior cidade da China, onde vivem mais de 20 milhões de pessoas. A rede de transportes públicos, apesar de estar em constante crescimento, não é suficiente para travar o crescimento do parque automóvel. De facto, não é apenas uma questão de transporte é, acima de tudo, um questão social e económica. Shanghai é uma cidade rica e o seus habitantes, quando o podem fazer, não prescindem de mostrá-lo.

Zhang Lin está a visitar Shanghai onde, desde há dois anos, vive a sua amiga Xiau Xiau. É de uma província relativamente próxima, mas isso não a impede de perceber a importância dos inúmeros avisos e painéis publicitários que abordam as questões ambientais. Apesar de a China estar no centro das atenções em termos ambientais e ser, neste momento, o país que mais emissões poluentes envia para a atmosfera, isso não quer dizer que nada seja feito. Aliás, a Exposição Mundial de 2010, que ocupará um espaço na zona antiga da cidade, tem um slogan - "Melhor vida, melhor cidade" -, que é sempre acompanhado de imagens de espaços verdes.

Paralelamente a estas preocupações, a cidade continua a viver em crescimento constante. E ninguém parece prescindir de nada. "A China cresce muito depressa e as pessoas têm dinheiro para comprarem aquilo que antes não podiam", explica Zhang Lin.

Em 1985, o país tinha um total de 285 mil automóveis. Em 2008, esse número era já de 35 milhões. Só em Pequim, números da passada semana apontavam a existência de 3,98 milhões de automóveis nas ruas. Em Shanghai ninguém parece estranhar quando passa um Ferrari ou um minicomboio de três Porsches num cruzamento onde se misturam lojas da Louis Vuiton, Prada ou até Zara. Ao lado, dezenas de bicicletas e motorizadas cruzam-se incessantemente. Algumas, certamente herdeiras de outros tempos em que a China não tinha ainda enveredado pela economia dos novos tempos e em que as indústrias não sabiam ainda o que eram as preocupações ambientais. Porém, há novas bicicletas e motorizadas em Shanghai: são eléctricas, movem-se silenciosamente e apenas o constante recurso às buzinas, como qualquer veículo que se move em Shanghai faz a todo o momento, mostra a sua presença.

"Mas é difícil convencer pessoas, que cada vez têm mais dinheiro, a deixar de andar de carro e passar a andar de bicicleta ou de transporte público", explica ao JN o responsável de uma organização não governamental do ambiente que actua na China. A solução, diz, "é mudar a mentalidade das pessoas". O curioso é que as autoridades encorajam este tipo de consumo. Significa "crescimento económico", diz, destacando o facto de serem as mesmas autoridades que, depois, desencorajam o uso. Ou seja, "o Governo quer que as pessoas comprem, mas não que usem!".

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A outra face desta moeda são os transportes públicos. E também eles estão a mudar nas cidades chinesas, cada vez mais modernas e cosmopolitas. A China tem, neste momento, 89 linhas ferroviárias urbanas em construção em vários pontos do país. No total são 2500 quilómetros de linhas equivalentes a um investimento de 147 biliões de dólares até 2016. Trata-se maioritariamente de metros subterrâneos e comboios ligeiros de superfície.

Em Shanghai, no próximo ano, estarão a funcionar 11 linhas com um total de 420 quilómetros de extensão e 280 estações. O número de passageiros previstos é igualmente grande: diariamente serão transportados 7,4 milhões passageiros durante a fase mais movimentada, que corresponderá à realização da Expo 2010. Aliás, no final do ano passado, Shanghai era já a sétima maior cidade do Mundo em termos de extensão total das linhas ferroviárias.

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