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Maioria de não-católicos vive na zona de Lisboa

Maioria de não-católicos vive na zona de Lisboa

A maioria das Testemunhas de Jeová, protestantes e não crentes vivem na zona de Lisboa e Vale do Tejo, ao contrário do norte do país, que continua a ser mais católico, revela um estudo da Universidade Católica.

De acordo com um relatório do Centro de Estudos de Religiões e Culturas da Universidade Católica Portuguesa, a que a Lusa teve acesso, mais de metade (55,2%) da população não crente portuguesa vive na região de Lisboa e Vale do Tejo, zona ocupada por 62,2% dos protestantes (incluindo evangélicos). A maioria das Testemunhas de Jeová e outras religiões também estão concentradas nesta região.

Pelo contrário, no norte do país estão concentrados 43,6% dos católicos, de acordo com o inquérito, realizado no final do ano passado a cerca de quatro mil pessoas e cujas conclusões serão esta semana apresentadas.

A geografia das identidades religiosas cola o mundo rural aos católicos: 80% dos católicos portugueses são rurais e 66% urbanos. Já no caso dos grupos pertencentes a outras denominações religiosas, estes surgem como sendo sobretudo urbanos e semiurbanos.

Três quatros da população nunca modificou a sua posição religiosa. Entre os 21% que admitiram ter mudado, surgem os que deixaram de ser praticantes (45%) e os que se desligaram de uma qualquer religião (24,1%). Dez por cento dos casos abandonaram mesmo o catolicismo para aderir a outra comunidade religiosa e, em sentido contrário, outros dois por cento passaram a ser católicos.

Olhando para as idades, os não crentes e crentes sem religião são maioritariamente mais novos, enquanto os católicos estão distribuídos por todos os escalões etários, mas estão cada vez mais envelhecidos.

Os investigadores da Universidade Católica descobriram ainda que entre as atividades realizadas habitualmente ao fim de semana, apenas 18,8% dos católicos afirmou ter estado a trabalhar. Tratar da casa e descansar é a ocupação da maioria dos inquiridos, independentemente da sua orientação espiritual.

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Muitos dos religiosos não saem de casa nem para ir à missa ou a qualquer outro ato religioso: os mais praticantes ainda são os protestantes (23,6% disse ter participado em atividades religiosas), seguidos dos católicos (17%) e das Testemunhas do Jeová (15,2%).

Entre os que ficam em casa, apenas 18,8% assistem a atos de culto através da televisão, sendo que mais de metade (55,4%) admite "nunca ou quase nunca" recorrer à televisão. As cerimónias transmitidas pela rádio são ainda menos acompanhadas, com 79,8% a admitir não ouvir.

No entanto, mais de metade dos religiosos ora diariamente ou pelo menos semanalmente. Um em cada três reza todos os dias e 26,7% reza algumas vezes por semana.

Pouco mais de 35% dos religiosos que não praticam a sua fé justificam-no com a "falta de tempo", um em cada três acredita que se pode "ter fé sem prática religiosa" e 23% reconhece que é por "desleixo e descuido" que não pratica.

Mas há quem atribua a responsabilidade aos protagonistas no campo religioso: 6,9% diz que não quer ir à igreja ou templo "por causa do padre, pastor ou responsável".

A religião é ainda cada vez menos tema de conversa. No inquérito realizado no final do ano passado a cerca de quatro mil pessoas com mais de 14 anos, quase metade (49,4%) dos entrevistados disse não ter abordado assuntos religiosos no último mês, sendo que 36% falaram sobre religião em família e 25% entre amigos. Apenas 7,6% conversou com os vizinhos ou com os colegas de trabalho (5,3%) sobre a matéria.

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