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Comité alerta para ameaças à liberdade de imprensa da administração Obama

Comité alerta para ameaças à liberdade de imprensa da administração Obama

O combate às fugas de informação por parte da administração norte-americana ameaça a liberdade de imprensa e a democracia, alertou esta quinta-feira o Comité para a Proteção de Jornalistas.

Num relatório com dezenas de testemunhos de jornalistas experientes, o organismo afirma que as ações do Presidente Barack Obama contradizem as suas promessas de transparência e abertura.

Este é o primeiro relatório do Comité a centrar-se nos EUA em 19 anos. Habitualmente, são países como a China, Irão, Paquistão ou Tanzânia a suscitar os alertas da organização dedicada a promover a liberdade de imprensa.

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O diretor executivo do Comité para a Proteção de Jornalistas (CPJ), Joel Simon, afirmou que decidiu investigar a liberdade de imprensa nos Estados Unidos porque vários jornalistas afirmaram que "a relação com a administração se tinha deteriorado a tal ponto" que tinham dificuldade em fazer o seu trabalho.

O autor do relatório, Leonard Downie, um antigo editor executivo do "Washington Post", afirmou ter verificado que "os dirigentes e funcionários da administração têm cada vez mais medo de falar à imprensa" porque há um maior controlo sobre as fugas de informação.

Downie indicou que isto se deve em grande parte aos esforços da administração para julgar seis funcionários governamentais e dois consultores - incluindo o ex-consultor da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla original) Edward Snowden - no âmbito de uma legislação sobre espionagem que data de 1917.

Considerou que se trata de um "arrepiante" uso de tal lei, que só foi invocada "três vezes nos últimos 90 anos".

Acrescentou que o combate da administração Obma "às fugas de informação e outros esforços para controlar a informação são dos mais agressivos desde a administração Nixon", nos anos 70.

Downie foi um dos editores envolvidos na investigação ao escândalo das escutas na sede do Partido Democrata colocadas pela campanha de Richard Nixon, conhecido como escândalo Watergate que acabou por levar à resignação do então Presidente em 1974.

Responsáveis da Casa Branca ouvidos para a elaboração do relatório recusaram a ideia de que cresce uma cultura contra a liberdade de imprensa.

O secretário de Obama para a Imprensa, Jay Carney, afirmou que "a ideia de que as pessoas se fecham e não dão informações aos jornalistas é desmentida pelos factos".

Numa declaração emitida em conjunto com o relatório, o CPJ manifestou-se "perturbado por um padrão de ações" que "congelou o fluxo de informação em assuntos de grande interesse público, incluindo matérias de segurança nacional".

O Comité considera que estas ações "impedem uma discussão livre e aberta que é necessária numa democracia" e apelou à administração Obama para que "afirme e garanta que os jornalistas não correm o risco de ser processados por receberem informação classificada ou confidencial".

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