Sociedade

Cortes na Lusa e no "Público" reduzem tratamento de matérias regionais

Cortes na Lusa e no "Público" reduzem tratamento de matérias regionais

O PCP do Porto criticou, esta quinta-feira, os cortes anunciados para a agência Lusa e o despedimento de trabalhadores do jornal Público por considerar que vão conduzir à "redução significativa" do tratamento de matérias de âmbito regional.

"Estes anúncios, a concretizarem-se, empobrecem o país e a região e conduzirão à redução significativa dos conteúdos destes órgãos de comunicação social, designadamente no que diz respeito ao tratamento de matérias de âmbito regional", escreve a Direção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP, numa nota de imprensa enviada à imprensa.

Para a DORP do PCP, estes casos mostram "uma identidade de comportamentos entre o governo PSD/CDS e os grandes grupos económicos, em que as vítimas são sempre o mesmo grupo social: os trabalhadores".

"O corte na indemnização compensatória da Lusa em 30% comprometerá o serviço público a que a Lusa está obrigada, pondo em causa direitos dos seus trabalhadores e postos de trabalho, mas também a capacidade da agência de notícias pública assegurar a abrangência geográfica que atualmente garante", lamentam.

Os comunistas lembram que "o caráter público da Lusa tem um papel estratégico para o país, é o garante da cobertura noticiosa nacional (para dentro e fora do país), sendo crucial para muitos jornais, rádios nacionais e locais, em outros suportes de informação, designadamente na internet e mesmo na televisão"

Para o PCP do Porto, a Lusa assegura também "o direito a uma informação livre, rigorosa e pluralista, independente dos grandes grupos económicos, com significado expressivo na dimensão e amplitude da sua cobertura".

Acresce que o serviço da Lusa é determinado "por princípios de igualdade e relevância (a que o serviço público obriga) e não em função de objetivos de lucro ou de favorecimento ideológico do poder económico dominante e dos partidos que o servem", escrevem.

No caso dos despedimentos anunciados na quarta-feira no jornal Público, o PCP do Porto destaca que a Sonaecom, proprietária da publicação, acumulou "mais de 100 milhões de euros de lucros entre 2010 e 2011, após ter reduzido vencimentos a diversos jornalistas".

"Agora, a Sonaecom anuncia o despedimento de dezenas de trabalhadores, afetando designadamente o tratamento de matérias de âmbito local, pondo em causa o futuro do caderno 'Local Porto'", sublinha o PCP.

Para os comunistas, este anúncio "desmascara os objetivos da administração, que há meses chantageou os trabalhadores para reduzirem salários e salvar postos de trabalho, para agora despedir". "É mais um exemplo da subordinação dos direitos dos trabalhadores ao lucro dos grupos económicos, numa despudorada demonstração de ausência de princípios e ética", critica a DORP do PCP.

A Comissão de Trabalhadores da Lusa foi recebida no começo do mês por Miguel Relvas, ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, que confirmou ser intenção do Governo cortar 30% no contrato-programa para 2013 entre o Estado e a agência, que será de 10,8 milhões de euros.

O contrato anterior previa um financiamento anual de 15 milhões de euros e a administração da agência havia apresentado, no início do ano, um plano de reestruturação que previa uma redução de 15% no financiamento da Lusa.

Os trabalhadores da Lusa aprovaram na terça-feira, em plenário, a realização de uma greve de quatro dias, entre 18 e 21 de outubro, contra os cortes da comparticipação pública anunciados pelo Governo.