TDT

Fernando Ruas preocupado com "esforços financeiros" para ver TV

Fernando Ruas preocupado com "esforços financeiros" para ver TV

O presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Fernando Ruas, mostrou-se preocupado com os "esforços financeiros com algum significado" que alguns portugueses estão a ser obrigados a fazer para poderem ter Televisão Digital Terrestre.

Em declarações aos jornalistas em Viseu, Fernando Ruas lembrou que a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) defendeu desde o início que "a passagem do analógico para o digital não podia ser tão simplista" e que, nalguns casos, nomeadamente em locais onde há pouca cobertura de Televisão Digital Terrestre (TDT), os equipamentos necessários têm "um custo elevado para os cidadãos".

O presidente da Câmara de Vouzela, Telmo Antunes (PSD), foi um dos autarcas que já pediu ao Governo o reforço da cobertura TDT e o adiamento do prazo para desligar o sinal analógico, porque as freguesias de Alcofra, Cambra, Campia, Carvalhal de Vermilhas e a localidade de Vasconha, na freguesia de Queirã - onde vive 42,6% da população do concelho, cerca de 4500 pessoas - tem "probabilidade reduzida de cobertura".

Nestes casos, o acesso só poderá ser assegurado através da TDT complementar via satélite (Direct to Home - DTH), o que "acarretará custos acrescidos às populações", alertou o autarca.

"Nós estamos tão atentos na associação que nem precisámos de queixa nenhuma. Quando a primeira experiência foi instalada em Alenquer tomámos logo posição e, portanto, só vamos manter esta posição", disse Fernando Ruas (PSD).

Apesar de o assunto só dever ser discutido numa próxima reunião do conselho directivo da ANMP, o seu presidente avançou que "é altura de o retomar e saber qual é a posição deste Governo em relação à matéria".

O também presidente da Câmara de Viseu lembrou que uma das propostas feitas na altura para apoiar os cidadãos foi a utilização de verbas cobradas "sem justificação", como, por exemplo, a taxa de audiovisual que consta até nas facturas da electricidade dos cemitérios.

"Agarre-se nesse dinheiro e, se calhar, facilita-se o apoio aos cidadãos. Ainda ontem ouvi uma reportagem de cidadãos a queixarem-se que tinham alguma dificuldade, porque não é só comprar o tal transformador", afirmou, lembrando que a "alternativa" dos cidadãos é "aquilo (a TDT) ou nada".

Logo início do processo de "switch off" do sinal analógico de televisão, concretizado com o encerramento do retransmissor de Alenquer, Fernando Ruas tinha defendido, em entrevista à agência Lusa, que esta não era uma prioridade para Portugal. Por se tratar de um processo que "não deixa opção" aos portugueses, apelou na altura a que fosse revisto.