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Programa de tv põe homens a avaliar corpos de mulheres nuas

Programa de tv põe homens a avaliar corpos de mulheres nuas

As mulheres despem-se integralmente em frente a dois homens. Ficam em silêncio a ouvir os comentários de Blachman e do convidado, que verbalizam o que pensam sobre cada pormenor da anatomia do corpo feminino em avaliação. É "Blachman", um polémico programa da televisão pública dinamarquesa.

As mulheres aceitam despir-se totalmente num programa de televisão em que dois homens lhe dizem, nu e cru, o que pensam do corpo delas. "Que mamas tão alegres" ou "essa vagina funciona bem?" são algumas das frases já produzidas no programa, intitulado Blachman.

As mulheres ficam em silêncio, a ouvir os comentários do apresentador, o cantor Thomas Blachman, conhecido jurado da versão local do concurso de talentos musicais "X-Factor", e do convidado de casa sessão.

Segundo relata o "tablóide" norte-americano "New York Daily News", Blachman considera que o programa a "é obra de um génio" e tem um objetivo superior, de "discutir a estética do corpo feminino sem permitir que a conversa se torne pornográfica ou politicamente correta".

"Agora as mulheres podem saber o que os homens pensam do corpo delas", comentou Blachman. O programa, emitido em horário nobre na cadeia de televisão pública dinamarquesa DR2, está a causar polémica na Dinamarca, país conhecido como um dos percursores da igualdade entre géneros.

"Temos um programa que revela o que os homens pensam do corpo da mulher. Honestamente, qual é o problema?" A pergunta, em jeito de afirmação, foi feita ao tablóide britânico "The Sun" pela produtora da DR2, Sofia Fromberg.

Programas "aberrantes" como este "geram estereótipos que anulam todo o trabalho feito pela igualdade" entre géneros, contrapõe Emilia Barrio, do Fórum de Política Feminista de Andaluzia, em Espanha, citada pelo jornal espanhol "EL País".

Alejandro Perales, presidente da Associação de Espetadores de Espanha, classifica o programa como "claramente sexista" e com conteúdos que "transformam a mulher em objeto".

Esta "coisificação" do corpo da mulher "tem uma grande importância no processo de socialização das nossas meninas e adolescentes, que vêem muita televisão, a ferramenta mais influente para criar protótipos sociais", alerta Emilia Barrio.

À boleia da polémica, Thomas Blachman está em Nova Iorque para promover o programa e estudar a venda do formato aos norte-americanos. E não muda de opinião. "O corpo feminino deseja palavras. Palavras de homem", diz.

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