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Toda a RTP 2 passa a ser produzida no Norte

Toda a RTP 2 passa a ser produzida no Norte

O presidente do conselho de administração da RTP, Alberto da Ponte, apontou esta quinta-feira como objetivo que "tudo o que seja RTP2 passe a ser produzido no Centro de Produção do Norte", privilegiando a "criatividade e a produção nacionais".

"A visão é que tudo o que seja RTP2 passe a ser produzido no Centro de Produção do Norte (CPN), de preferência sempre com criatividade e produção nacionais. Esse é o objetivo do serviço público, foi esse objetivo que foi dado ao CPN e é esse objetivo que eu, pessoalmente, enquanto presidente do conselho de administração, faço tenções de monitorizar", afirmou Alberto da Ponte à margem da apresentação das novas linhas de programação do canal dois da RTP, no Porto.

Referindo-se ao encontro prévio que manteve com a direção da Junta Metropolitana do Porto (JMP), cujo presidente, Rui Rio, lhe terá "perguntado se era mais um lisboeta que vinha aqui debitar promessas para depois não cumprir", o presidente da RTP disse ter-se "oferecido" para viajar "de seis em seis meses" ao Porto para "fazer uma monitorização de como é que as coisas estavam a acontecer".

"Acho que é um dever que quem está à frente do serviço público tem para com a sociedade", sustentou.

A provar a aposta da RTP na delegação do norte, Alberto da Ponte adiantou que, nos próximos cinco meses, a ocupação de estúdio deverá aumentar "10 a 12%" face ao mesmo período de 2012, sendo o objetivo associar progressivamente cada vez mais programas ao CPN.

"O objetivo da RTP é aproveitar o mais possível os recursos internos, os ativos em termos de estúdios, de equipamentos e de pessoas", salientou, admitindo que a aposta na produção interna implicará "sacrificar alguma da produção externa", embora mantendo as quotas a que a RTP está obrigada por via do serviço público.

"Mas há muito ainda para se fazer com a produção interna", disse, avançando como exemplo o programa Sociedade Civil, que em breve deixará de ser feito com recurso a produção externa.

Afirmando que o CPN não tem ainda um orçamento total definido, já que "muitos dos custos são ainda imputados às respetivas direções" sedeadas em Lisboa, o presidente da RTP afirmou que o objetivo é que, mais que um "cento de custo", o CPN da RTP seja "um centro de lucro ou, pelo menos, um centro balanceado".

Questionado sobre se aquilo que designou como plano de desenvolvimento e redimensionamento (PDR) da RTP implicará despedimentos ou rescisões por mútuo acordo, Alberto da Ponte remeteu qualquer informação para depois de "um diálogo com as organizações que representam os trabalhadores", que acontecerá até ao final deste mês.

A este propósito, o presidente da RTP adiantou apenas que, "quando se fala em desenvolvimento, fala-se de inovação e crescimento" e, "quando se fala em redimensionamento, fala-se em cortar a base de custos", o que pode acontecer "de várias maneiras".

Relativamente à transferência para o Porto da direção da RTP2, Alberto da Ponte afirmou ser "uma questão que estará sempre em aberto", mas destacou que, "hoje em dia, o que interessa são os conteúdos" e "que o CPN seja capaz de ser um centro de produção, mas também de criação desses conteúdos".

Com um orçamento total para este ano na ordem dos 22 milhões de euros, cinco milhões dos quais relativos a produção externa, a RTP2 terá disponível uma verba "um bocadinho abaixo" de 2012, mas, segundo Alberto da Ponte, disporá ainda de "muito dinheiro".

"É suficiente. Sobre a base do ano passado já conseguimos algumas poupanças significativas, com melhores negociações com fornecedores, portanto o número é o necessário e, se for preciso mais, sabemos fazer transferências de orçamentos", sustentou.