Sociedade

Vigília contra despedimentos na Controlinveste junta cerca de uma centena de pessoas no Porto

Vigília contra despedimentos na Controlinveste junta cerca de uma centena de pessoas no Porto

Mais de uma centena de pessoas concentrou-se, esta segunda-feira, em frente ao edifício onde estão concentrados, no Porto, os títulos da empresa Controlinveste para contestarem o despedimento coletivo no grupo, prometendo com esta vigília iniciar uma "luta dura".

"Esta vigília tem como objetivo dar voz às organizações representativas dos jornalistas e de outros trabalhadores abrangidos por este processo, mas também de outras organizações da sociedade. O objetivo é criar-se um coro de protesto contra este despedimento coletivo brutal", disse, à Lusa, o presidente do Sindicato de Jornalistas (SJ), Alfredo Maia.

Em causa está o anúncio de despedimento coletivo anunciado a 11 de junho pelo grupo Controlinveste que visa 140 pessoas, trabalhadores de títulos como o Jornal de Notícias, O Diário de Notícias, O Jogo, a TSF e a Notícias Magazine, entre outros.

Estiveram presentes nesta vigília profissionais da comunicação social, desde jornalistas a gráficos, tanto da empresa visada, como de outros meios de comunicação em solidariedade com os colegas que estão a ser alvo do despedimento, bem como trabalhadores de outras áreas, representantes de forças políticas e sindicais e familiares e amigos.

"Isto atinge 140 trabalhadores. Há mais vinte que vão ser despedidos num chamado acordo de rescisão por mútuo acordo mas que nós sabemos que é um acordo camuflado", acusou Alfredo Maia.

"Neste processo há 66 jornalistas das várias publicações que vão ser despedidos. Isto significa uma machadada fortíssima na capacidade operacional das várias publicações, no pluralismo, na liberdade e na qualidade da própria democracia", acrescentou o presidente do SJ.

Entre os participantes nesta vigília estava Hélder Robalo, jornalista do Diário de Notícias há 13 anos e meio e um dos trabalhadores que ficou a saber que seria despedido. Mais do que comentar a sua situação pessoal, o repórter sublinhou as suas preocupações face ao futuro da Comunicação Social, ele que hoje recordou ter estado "do outro lado" quando foi incumbido de noticiar o processo de fecho do portuense "Primeiro de Janeiro".

"No espaço de cinco anos, estamos a falar de 280 pessoas despedidas num grupo que tem dos principais órgãos de comunicação social do país. A argumentação da empresa, além das avaliações, idade e salários, passa por falar nas sinergias que podem ser criadas entre os vários títulos com a partilha de conteúdos. Vamos, portanto, ter um único olhar sobre um mesmo acontecimento em cinco órgãos de comunicação", disse Hélder Robalo que se recorda

O jornalista questionou, assim, a "qualidade" do trabalho apresentado aos clientes destes títulos, algo que Alfredo Maia também referiu considerando este despedimento "um gravíssimo erro que poderá causar prejuízos aos leitores e ouvintes".

Segundo o responsável do SJ para terça, quarta e quinta-feira estão agendadas rondas negociais que juntarão os trabalhadores abrangidos por este despedimento com a empresa e com as estruturas sindicais, com a arbitragem do Ministério do Trabalho.

Para sexta-feira está marcada uma greve de 24 horas abrangendo as publicações do grupo, o que inclui as revistas, os sistemas 'online' e a Global Imagens.

Sobre o que esperam desta semana de luta, os presentes na vigília no Porto vincaram esperar "a justíssima expectativa de que a empresa recue", conforme disseram, à Lusa, alguns participantes que, entretanto, foram assinando uma petição pública sobre esta matéria.