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Médico defende alteração do método de tratamento de toxicodependentes

Médico defende alteração do método de tratamento de toxicodependentes

O presidente da Associação Portugal Livre de Drogas defendeu esta terça-feira que Portugal poupava dinheiro se alterasse o método de tratamento de toxicodependentes, tendo em conta que é um problema "mais psicológico do que médico".

Em declarações à agência Lusa a propósito da divulgação do relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), o presidente da Associação Pportugal Livre de Drogas (APLD), Manuel Pinto Coelho, disse que "é urgente" definir uma nova forma de tratamento de toxicodependentes, condenando o recurso a drogas de substituição.

Segundo o médico, 72 por cento dos toxicodependentes são tratados com medicamentos de substituição, o que na sua opinião significa que se está a "alimentar a mesma condição de dependência", além dos custos para o Estado.

Numa altura de crise, o presidente da APLD defendeu a necessidade de encontrar "um novo paradigma", considerando que se trata de um problema "mais psicológico do que biológico ou médico".

"Há que implantar um modelo essencialmente psicológico que transmita estratégias de controlo emocional a quem perdeu todo o controlo sobre si, ensinar perícias que ajudem as pessoas a evitar situações que os leva ao consumo e não tratá-los como peças de um rebanho que os trata a todos com metadona", sustentou.

Manuel Pinto Coelho disse ainda que as estruturas no terreno têm de alterar a sua estratégia, uma vez que estão vocacionadas para tratar a heroína e a realidade alterou-se com a entrada em cena de drogas sintéticas.

Tratamentos são "economicamente vantajosos"

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O Observatório Europeu da Droga reconhece a necessidade de reduzir custos, mas alerta que os tratamentos são "economicamente vantajosos" do ponto de vista social.

Num relatório divulgado em Lisboa esta terça-feira, o Observatório realça: "Na actual conjuntura financeira é prioritário assegurar a mais elevada qualidade e os melhores resultados do tratamento com os menores custos possíveis".

Numa análise em que faz o levantamento das principais fontes de financiamento para o tratamento da toxicodependência numa série de países europeus, o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT) sustenta que "o tratamento é economicamente vantajoso do ponto de vista social".

No estudo que aborda os custos dos serviços de tratamento de toxicodependentes na Europa, o OEDT conclui que o Estado é o principal financiador, apesar de divergir o nível de governo através do qual as verbas são canalizadas (Governo central na Estónia, Grécia, Chipre, Luxemburgo, Portugal e Reino Unido e regional ou local na Dinamarca, Espanha e Finlândia).

"Os seguros de saúde também são importantes financiadores [dos tratamentos] em diversos países", sublinha o documento, apontando como exemplos a República Checa, Alemanha, Luxemburgo, Áustria e Eslovénia.

Dos nove países que reportaram os custos anuais dos tratamentos contra a droga, a estimativa do OEDT indica que, em cada ano, estes estados-membros gastam entre um a 20 euros por cada toxicodependente.

Dos sete países que forneceram dados suficientes para permitir cálculos, a média anual de custos por tratamento/toxicodependente varia entre os 550 e os 4.900 euros.

Por país, a percentagem de despesa total explicitamente identificada como estando relacionada com a droga variou entre um e 47 por cento (%). As prisões (31%) e os serviços de polícia (16%) constituíram a maior parte da despesa directa no domínio da 'ordem e segurança' públicas.

Na área da saúde, a despesa directa referia-se sobretudo aos serviços de tratamento em regime de ambulatório (68%) e hospitalar (16%), seguidos pelos medicamentos (7%).

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