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Médicos devem evitar prescrever por "moda"

Médicos devem evitar prescrever por "moda"

A ministra da Saúde apelou aos médicos para que tratem melhor os doentes diabéticos e com menos custos e "não pela última moda". Um reparo feito no dia em que se soube que os custos com a diabetes dispararam para 1500 milhões de euros em 2009.

Ana Jorge aproveitou o facto de estar perante uma plateia de médicos e de responsáveis das Administrações Regiões de Saúde para deixar o reparo: nem sempre a opção pelos medicamentos de "última moda" e, logo, mais caros, significa uma grande melhoria para os doentes.

Pelo que pediu aos médicos para que "façam uso das boas orientações e das boas práticas clínicas" para "tratar melhor os doentes e com menos custos". Se isso acontecer, "não vai haver necessidade de impor cortes", garantiu, aos jornalistas, no final da apresentação do mais recente estudo sobre a diabetes em Portugal, onde se lê que, nos últimos nove anos, os custos com medicamentos triplicaram face ao crescimento do consumo de embalagens (+77%) e que, em média, cada diabético custa, por ano, 1543 euros.

Os dados foram revelados na apresentação do estudo "Diabetes, factos e números 2010", elaborado pelo Observatório Nacional da Diabetes, e onde a ministra da Saúde anunciou que vai avançar, em Julho, com um programa de gestão integrada da diabetes, o DiabGest, que pretende envolver o doente, os cuidados de saúde primários e os hospitais.

Para já, o programa vai avançar em sete agrupamentos de centros de saúde (ACES) - Tâmega/Vale do Sousa, Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos, Vouga II, ULS de Castelo Branco, Lezíria I e Lezíria II, Alentejo Litoral e Sotavento- e abranger "mais de um milhão de habitantes". O objectivo é melhorar a prevenção, o rastreio e o tratamento de uma doença que, segundo Ana Jorge, "pode ser evitada e deve ser prevenida", designadamente com mudanças de comportamentos.

Os dados ontem revelados mostram que a prevalência da diabetes está a aumentar, afectando quase um milhão de portugueses, sendo que quase metade desconhecem que têm a doença.

Ao JN, José Manuel Boavida, coordenador do Plano Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes, explicou que as novas unidades gestoras locais serão coordenadas pelo delegado de saúde, em articulação com o director clínico do hospital local e com o director do ACES que, em conjunto, vão definir qual a melhor forma de abordar esta doença e de apoiar os doentes. Mas o certo é que "terá de passar por uma maior contribuição por parte dos enfermeiros" e de dietistas e nutricionistas que terão de ajudar os doentes a ter uma alimentação melhor e um estilo de vida mais saudável, a "única forma de haver redução de custos", acentuou.

Confrontado com as críticas da ministra da Saúde aos custos com medicamentos, o também presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia admitiu que tem de haver uma nova cultura de formação médica para apostar na educação dos doentes, mas confessou que "se os médicos são pressionados a fazer consultas muito rapidamente não têm outra saída" que não seja privilegiar os fármacos.

Aponta também o dedo ao facto de se "deixar a formação na mão das farmacêuticas" o que reforça esse "caminho".

Luís Gardete Correia, coordenador do Observatório da Diabetes, também insiste na necessidade de haver uma "formação contínua" dos médicos para uma "utilização racional" dos medicamentos, mostrando-se convicto de que a prescrição electrónica vai ajudar nesse processo.