Sociedade

Museus de química sem apoios para a preservação

Museus de química sem apoios para a preservação

Os laboratórios de química das universidades de Lisboa, Porto e Coimbra revelam um património único que os responsáveis querem divulgar através de um "turismo cultural", mas lamentam a falta de apoios para a sua preservação.

Nestas três cidades, é possível visitar exemplares únicos de laboratórios de química, "uma singularidade que não se vê em mais lado nenhum", afirma Marta Lourenço, professora e investigadora do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa.

Este "triunvirato dos três laboratórios, de três épocas distintas, e completamente diferentes" é, segundo Marisa Monteiro, curadora do Museu de Ciência da Universidade do Porto, "uma oportunidade de turismo cultural".

Os exemplares "quase intactos" constituem um conjunto com potencialidades únicas, mas limitadas pela falta de apoios e pela "falta de mecanismos para preservação", alerta Marta Lourenço.

Segundo esta investigadora, o património da ciência e da técnica "é completamente desconhecido" e só recentemente foi alvo de interesse, mantendo-se contudo menos reconhecido face a outros patrimónios, como o artístico ou arqueológico.

Para estes investigadores, os patrimónios da ciência são assim "órfãos duas vezes", quer na área da cultura, quer dentro das próprias instituições de educação que as albergam.

Conscientes da importância da relação entre estes três exemplares únicos, os envolvidos projectam implementar percursos e publicações conjuntas: "Está na nossa ideia, mas ainda não se concretizou", adiantou Marta Lourenço.

Embora as três instituições estejam em contacto permanente e trabalhem em conjunto, um projecto mais alargado, que tire proveito desta circunstância ímpar, está dependente da abertura ao público do laboratório Ferreira da Silva, pertença da Universidade do Porto.

Enquanto se aguarda a possibilidade de recuperar esta sala e a sua abertura ao público, este espaço serve como reserva da colecção do Museu de Ciência da Universidade do Porto, uma vez que não há outro espaço para a colocar, explica Marisa Monteiro.

Quanto à competição histórica entre faculdades, "essas rivalidades a nível do património não fazem sentido", garante Pedro Casaleiro, responsável da área de colecções e exposições do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.

"Nós complementamo-nos", acrescenta

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG