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Noroeste do país viveu dia caótico mas esperam-se melhorias

Noroeste do país viveu dia caótico mas esperam-se melhorias

Desabou o céu sobre o Noroeste do país, numa caótica torrente que causou muitos prejuízos e maiores transtornos. Em Braga, um homem está dado como desaparecido, levado pelas águas do revoltado rio Este.

Estimava o Instituto de Meteorologia que esta quinta-feira, ao fim da manhã, a situação comece a desanuviar. Não pode falar-se em fenómenos específicos, como trombas-d'água e afins, mas a presença do centro de uma depressão sobre o mar, bem perto da costa, a noroeste do Porto, e a passagem de uma superfície frontal geraram fortíssimos aguaceiros e chuva persistente, tornando ainda maior a surpresa das primeiras chuvas, para as quais as populações nunca estão preparadas.

O caso de Braga era o mais grave, por implicar a perda de uma vida humana, a avaliar pelos testemunhos de quem diz ter visto um cidadão na casa dos 60 anos arrastado pela enxurrada. O corpo foi encontrado esta manhã, sem vida.

Melhor sorte teve um motociclista, na Trofa, que chegou a ser dado como desaparecido após a queda de uma ponte sobre a ribeira de Guidões, mas conseguiu manter--se agarrado à vegetação e foi resgatado pelos bombeiros.

Não faltaram acidentes. Só para dar um exemplo, em Famalicão, onde um rio transbordou num fósforo e levou funcionários e utentes do centro de saúde de Ribeirão a porem-se em fuga, uma mulher não conseguiu segurar o carro por causa da água, despistando-se e capotando, mas sofrendo apenas ferimentos ligeiros.

E o trânsito foi cortado em numerosos sítios, incluindo as auto--estradas A28, onde a inundação era de tal ordem que carros ficaram a boiar, ou a A3, o que gerou uma fila com cerca de dez quilómetros na região de Braga. O corte da A28 levou a que a velhinha EN 13 ficasse completamente entupida, e duas pessoas, dentro de um carro, já estavam em hipotermia quando os bombeiros as retiraram. "Há desgraça em todo o lado", diziam aí à reportagem do JN, que testemunhava uma longa fila entre as Guardeiras e Vila do Conde, talvez o concelho onde o caos foi mais acentuado. Já Lavra, a freguesia mais setentrional de Matosinhos, era um cenário desolador, com ruas fortemente danificadas e carros perdidos; ali, como noutros locais, pequenos cursos de água entubados terão potenciado a destruição.

Foram muitos os cortes de electricidade, e também o metro teve a circulação interrompida, devido a inundações, na linha da Póvoa e, ainda, na linha azul, onde durante algum tempo não se circulou entre as estações de Vasco da Gama (Senhora da Hora) e Senhor de Matosinhos. Árvores caíram, e duas delas, no Porto, apanharam carros: um estava estacionado e vazio; no outro, os ocupantes tiveram tempo e discernimento para se porem a salvo.

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