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Observar o eclipse sem filtro solar adequado pode cegar

Observar o eclipse sem filtro solar adequado pode cegar

Na próxima sexta-feira, entre as 8 e as 10 horas, a Lua vai sobrepor-se ao Sol. O fenómeno da dança dos astros vai ser visível em todo o país e ilhas, mas de forma parcial. Só no Polo Norte é que o dia ficará escuro como breu por alguns instantes.

Por si só, o eclipse solar não traz riscos para a saúde, mas desperta curiosidade e a observação do Sol, sem a proteção adequada, pode trazer danos irreversíveis para a visão.

"Olhar para o Sol é sempre perigoso, queima as células da retina e provoca lesões oftalmológicas graves", avisa Maria João Quadrado, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, que está particularmente preocupada com as crianças. "Este eclipse coincide com o último dia de aulas antes das férias da Páscoa e acontece de manhã. Espero que as crianças não vão para o recreio olhar para o Sol porque é muito perigoso", alerta a especialista.

O nível de proteção da retina das crianças é menor do que a dos adultos, pelo que estão ainda mais suscetíveis a lesões oculares. E como a queimadura provocada pela radiação não causa qualquer ardor ou sintoma no momento "as pessoas não se apercebem do que está a acontecer". A perda de visão, acrescenta Maria João Quadrado, pode surgir passado algumas horas ou mesmo dias". E é irreversível.

Filtros solares

Para uma observação em segurança do eclipse parcial do Sol, a Direção-Geral da Saúde, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia e o Observatório Astronómico de Lisboa emitiram um comunicado com recomendações. "Só se pode olhar para o Sol com filtros solares adequados que se vendem nas farmácias e nas lojas especializadas. Não se devem usar óculos de sol, vidros fumados, radiografias, negativos fotográficos, películas, folhas de alumínio. As lentes adequadas para se olhar para o Sol têm um filtro muito específico (devem conter a marca CE obrigatória, cumprindo a Norma Europeia EN 169/1992 e a Diretiva Europeia CEE 89/686)", explica a presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia.

Olhar apenas 20 segundos

Note-se ainda que os filtros solares oculares não devem ser combinados com binóculos, câmaras fotográficas, telescópios ou quaisquer outros instrumentos óticos, refere o comunicado disponível na página da Internet da Direção-Geral da Saúde.

Outra recomendação a fixar é o tempo de observação do eclipse que não deve exceder os 20 segundos de cada vez, com intervalos de descanso de pelo menos três minutos.

Os especialistas aconselham também os interessados a procurar locais seguros para a observação do fenómeno, nomeadamente o Observatório Astronómico de Lisboa, a Faculdade de Ciências de Lisboa, o Planetário do Porto e o Observatório Astronómico de Coimbra.

A observação de um eclipse do Sol sem proteção adequada pode provocar lesões irreversíveis na retina ou mesmo cegueira. Os oftalmologistas pedem cuidados especiais com as crianças na próxima sexta-feira.

Duas horas de duração

O eclipse total será visível no extremo norte do Oceano Atlântico, nas Ilhas Faroé, Svalbard e região Ártica (passa no Polo Norte). Vai durar cerca de duas horas, com início às 8 horas, o máximo próximo das 9 horas e o final próximo das 10 horas.

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